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domingo, 21 de junho de 2015

"FELIZMENTE HÁ LUAR!" - NOTAS BREVES, ANÁLISE GLOBAL



Felizmente Há Luar !


O desenrolar da acção gira em torno da figura, sempre ausente, do general Gomes Freire, mas também sempre tornado presente pelas outras personagens. (É ele o centro das atenções de todas as personagens que por ele esperam e dele falam.).

O tema da peça é a tentativa de conspiração contra o poder totalitário dos Governadores durante a ausência de D. João VI, vivendo no Brasil, e que foi abafada sob cruel repressão. (Tema histórico, real).

O bode expiatório foi o General – a frase de D. Miguel é bem esclarecedora:

“Não há inocentes, Reverência. Em política, quem não é por nós, é contra nós".

O povo, principalmente, aparece associado à rua; os poderosos, aos interiores.

Podemos considerar:

- a apresentação em grupo (populares “habitam” o espaço dos que nada têm, a rua).
- dormir no chão = símbolo da ausência de casa, de abrigo – miséria.
- o acto de catar piolhos – miséria. É representativo das condições deploráveis em que vivem.
- o acto de fugir às tropas (próprio de quem conhece a repressão).
- o acto de transportar consigo bens domésticos (vida sujeita às condições do acaso).

Matilde partilha com os populares o facto de ser vítima do regime repressivo e o sentimento de perda (ela perde o amante; o povo perde a esperança de mudança que Gomes Freire representa).
O ritmo no Acto II é mais rápido se pensarmos que decorrem 150 dias e a série de acontecimentos é menor.
A acção decorre durante 150 dias, o tempo que vai da prisão de Gomes Freire até à sua morte.
Os acontecimentos que decorrem são a prisão do General e o recurso de Matilde a todas as formas na tentativa desesperada de o salvar.

As três classes que se destacam são o  povo, os delatores e os governadores.

Vicente, numa primeira fase, vive a mesma fome, a mesma miséria e os mesmos terrores dos seus companheiros. É mais astucioso e espera uma hipótese de mudança, só conta “meia verdade” aos outros o que faz com que ganhe a confiança dos Governadores. Através da traição e da denúncia consegue um posto de Polícia – vende-se pelo preço de um emprego, perdendo dignidade. Acaba por integrar o grupo de delatores.


Matilde e Sousa Falcão encontram-se unidos pela fidelidade ao General.

Matilde destaca-se por ser quem luta com coragem, movida pelo desespero, contra as forças adversas que os Governadores representam, contra o silêncio do Povo.”Abana” o cinismo dos Governadores e denuncia, sem sucesso, a injustiça e a tirania.
Sousa Falcão acompanha-a até ao fim, dominado  pela consciência intranquila /pesada de não ter tido coragem de assumir o que pensava.

O General Gomes Freire é o protagonista, ainda que nem chegue a entrar em cena. É à volta da sua figura que toda a acção se desenvolve, pois está omnipresente nas falas, no pensamento e nas acções das personagens.

No primeiro acto, os populares movimentam-se à volta da figura do General e dispersam-se à voz de comando dos polícias. No segundo acto, já não se movimentam, melhor dito, silenciam todo e qualquer apoio ao seu ídolo, e, simbolicamente, abandonam-no ao seu destino.

Pertencentes ao grupo dos delatores, são personalidades mesquinhas, que nem os próprios códigos morais respeitam. No plano dramático, não há evolução, mas no plano narrativo sabemos que, antes do tempo de acção, já tinham renegado a Maçonaria – a que pertenciam – e começam a reger-se pelo medo que os leva ao oportunismo.

Beresford é o mais autoritário dos governadores e o detentor de maior poder – representa o domínio inglês no nosso país.

D. Miguel é prepotente mas servil em relação a Beresford – representa a nobreza sujeita a forças estrangeiras, devido à ausência do rei D. João VI.

Principal Sousa – domina pelo terror em nome de um “Deus feito à imagem e semelhança dos homens” – representa a interferência da Igreja no Estado.

D. Miguel defende, como sistema, a sua posição de cúpula prepotente, distanciado do povo a quem não reconhece direito ao diálogo.

Sendo Matilde uma mulher do povo, D. Miguel manifesta e reitera o seu total desprezo, não apenas em discurso retórico (acto I), mas em acção na recusa peremptória em receber Matilde, interpondo um criado para a mandar embora (acto II).

Frei Diogo ousa, subtilmente, demarcar-se das atrocidades cometidas em nome de Deus. É esclarecido, representando, por isso, uma oposição silenciosa dentro do Clero.



Felizmente há Luar!

Para D. Miguel o luar simbolizou um aliado superior como única luz possível para que o povo pudesse contemplar o castigo / exemplo atroz. Mas é bom lembrar que havia uma lei que proibia as execuções depois do sol-posto. Portanto, “felizmente” o luar substituiu a “legalidade” de uma hora solar.
Para Matilde, o sentido é muito mais vasto: a esperança da mudança para uma nova fase da política e da vida em Portugal, sabendo que a Lua evolui nas suas diferentes fases. Como reflexo do Sol e ainda como símbolo do princípio feminino, realiza-se a simbiose com a voz feminina de Matilde, voz uterina da gestação na esperança de uma revolução concretizada, a partir do exemplo de um mártir da Pátria.
Ainda a saia verde constitui um acréscimo importante na mensagem de esperança que, de resto, é também a voz do próprio Sttau Monteiro.

… mais notas
O espectador/leitor vai-se apercebendo de que o tempo vai passando no acto II através das várias deslocações de Matilde, com a luz a apagar-se sobre um espaço para se acender sobre outro, acompanhando a personagem na progressão da acção.

O contexto social e político que serve de pano de fundo à peça projecta-se no século XX pelo “efeito de distanciação”. Deste modo, o leitor / espectador vê-se igualmente projectado nas personagens em acção. A falta de liberdade de expressão e a censura, durante a ditadura Salazarista  levaram o autor a “proteger-se” na capa de figuras e situações históricas distanciadas mais de 100 anos, mas muito paralelas. 


Meninos:

Apesar de se tratar de um conjunto de respostas a um questionário abrangendo toda a obra, não o considerem desse modo que o tempo urge... :)) 

Notas soltas, pode ser?

FELIZMENTE HÁ LUAR - Introdução ao Estudo I


FELIZMENTE HÁ LUAR!
de
Luís de Sttau Monteiro

                Obra escrita em 1961, recebeu o Grande Prémio do Teatro da Sociedade de Escritores e Compositores Portugueses, em 1962.
                Foi representada pela primeira vez em Paris, em Março de 1969. Em Portugal, a censura impediu-a de subir à cena pois o conteúdo não agradava a Salazar.
                Em 1978 é representada no Teatro D. Maria II, numa encenação de Sttau Monteiro o qual a designou “um grito de Liberdade”.
_____________________________________________________
                A ação decorre em 1817.
                A personagem principal é o General Gomes Freire de Andrade (está sempre presente mas nunca aparece).
                O General é um militar muito prestigiado que foi executado em S. Julião da Barra, acusado de liderar uma conspiração (Conspiração de 1817) contra a Junta Governativa a qual representava o rei de Portugal, D. João VI, refugiado no Brasil desde a 1ª invasão francesa (1807). Com esta conspiração pretendia-se derrubar o regime absolutista e instaurar o liberalismo em Portugal.
                A Junta era constituída por D. Miguel Pereira Forjaz, representante da nobreza; Principal Sousa, representante do clero e William Carr Beresford, poderoso chefe militar nomeado por Sua Majestade Britânica e que “governa Lisboa para ganhar dinheiro”. A chegada de Gomes Freire ao poder implicaria o afastamento ou mesmo a morte dos três e o fim dos interesses que eles representavam. Por esse motivo, Gomes Freire é preso e logo executado com “trinta conjurados” numa noite de lua cheia.

FELIZMENTE HÁ LUAR - Teatro dramático e Teatro épico

Afirma Bertolt Brecht em Estudos sobre Teatro...
                                                                                                                        
"O espetador do teatro dramático diz:
- sim, eu já senti isso.
- eu sou assim.
- o sofrimento deste homem comove-me, ele é irremediável.
- tudo ali é evidente.”
    
            ** O Teatro dramático conduz à ilusão / à emoção, Arte e Vida real confundem-se.

“O espetador do teatro épico diz:
            - não é assim que se deve fazer.
            - nada ali é evidente.
            - sofrimento em palco tem solução.

            ** O Teatro deve permitir envolvimento do espetador no julgamento da sociedade, incita-o a agir.


O Teatro épico ativa a consciência do espetador, a sua capacidade de observação e de análise e igualmente o seu raciocínio no sentido de ir tirando conclusões acerca dos acontecimentos e dos problemas apresentados em cena.
Segundo Brecht, espetador e ator devem ser lúcidos. Os dois tempos, o da representação e o do comportamento das personagens são diferentes assim como os dois mundos, o da realidade e o que representa.
Em Felizmente Há Luar!, Luís de S. Monteiro pretende através da distanciação, envolver o espetador no julgamento da sociedade, tomando contacto com o sofrimento dos outros. Deste modo, o espetador deve possuir um olhar crítico para melhor se aperceber da opressão / injustiça de que é vítima.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

"FELIZMENTE HÁ LUAR!" - PARALELISMO ENTRE DUAS ÉPOCAS


TEMPO DA HISTÓRIA - SÉCULO XIX - 1817

TEMPO DA ESCRITA - SÉCULO XX - 1961

 
. agitação social que levou à revolta liberal de 1820 - conspirações internas; revolta contra a presença da Corte no Brasil e a influência do exército britânico.
 
. agitação social dos anos 60 - conspirações internas; agravamento da guerra colonial.
 
. regime absolutista e tirânico;
 
. regime ditatorial de Salazar.
 
. hierarquização marcante das classes sociais e receio por parte das classes dominantes de perderem privilégios.
 
. desigualdade social entre abastados e pobres; classes dominantes veem o seu poder reforçado.
 
. povo oprimido e resignado; a miséria, o medo e a ignorância; obscurantismo, mas "felizmente há luar".
 
. povo reprimido e explorado; miséria, medo e analfabetismo; obscurantismos, mas crença nas mudanças.
 
. luta contra a opressão do regime absolutista; a personagem Manuel, "o mais consciente dos populares", denuncia a opressão e a miséria.
 
. luta contra o regime totalitário e ditatorial; agitação social e política com militantes antifascistas em protestos.
 
. perseguições dos agentes de Beresford; as denúncias de Vicente, Andrade Corvo e Morais Sarmento que, sem escrúpulos e hipócritas, denunciam  quem se manifesta contra o poder instituído, censura à imprensa.
 
. perseguições da PIDE; denúncias dos chamados "bufos" que, disfarçados e escondidos na sombra, procuram colher informações para, posteriormente, denunciar; censura.
 
. severa repressão dos conspiradores; processos sumários e pena de morte.
 
. prisão e duras medidas de repressão e de tortura; condenação em processos sem prova.
 
. execução  do general Gomes Freire, em 1817.
 
. posterior a "Felizmente há Luar!" - execução do general Humberto Delgado, em 1965.
 
 
 
 
 
 

domingo, 8 de abril de 2012

FHL - PERSONAGENS (Matilde, Gomes Freire, ...]



MATILDE

Matilde coloca a nu os vícios do clero.
É uma defensora das causas perdidas: justiça, lealdade, valentia (saia verde).
É uma mulher corajosa, defensora da sinceridade, denuncia a falsidade e a hipocrisia do Estado e da Igreja.
Mulher apaixonada que vai tomando consciência do fim do seu companheiro e cheia de esperança (saia verde)
Surge em cena no Ato II e será com ela que o dramatismo na peça irá tomando forma e volume, num crescendo que tocará a alucinação e mesmo o delírio à medida que se aproxima o fim do “seu homem”.
Personifica a dor das mães, irmãs, esposas dos presos políticos.

SOUSA FALCÃO

Amigo de Gomes Freire e Matilde.
Partilha das mesmas ideias de Gomes Freire mas não teve a sua coragem. Autoincrimina-se por isso, medroso.

GOMES FREIRE DE ANDRADE

Representa Humberto Delgado e é uma personagem virtual / central.
Encontra-se sempre presente nas palavras das outras personagens.
É caracterizado pelo Antigo Soldado, por Manuel, D. Miguel e Beresford.
É idolatrado pelo povo, acredita na justiça e na luta pela liberdade (sabemo-lo pela voz de Matilde).
Foi um soldado brilhante, “estrangeirado”, é um símbolo da esperança e da liberdade.

E ainda…
Polícias – representam a PIDE.
Frei Diogo de Melo – representa a Igreja consciente da situação do país.





quarta-feira, 4 de abril de 2012

PRODUÇÃO ESCRITA SOBRE TEMÁTICAS DE FHL



I

“E que interessa o que diz o povo?”
“Autoridade sempre presente e sempre pronta a intervir.”

            Escreve um pequeno texto – cerca de 60 palavras – em que demonstres a importância destas frases para o desenrolar da ação e para a caraterização das personagens.

II

            Considera a hipótese de teres assistido a uma representação da peça Felizmente Há Luar! , de Luís de Sttau Monteiro, com uma encenação fiel às indicações cénicas do autor. Escreve um texto, de 100 a 150 palavras, que pudesse ser publicado no jornal da escola, dando a tua opinião sobre a importância do tom de voz e dos gestos de algumas personagens, exemplificando com duas situações significativas da peça.

sábado, 31 de março de 2012

FHL - PERSONAGENS ... Manuel, D. Miguel Forjaz, Principal Sousa e Beresford


PERSONAGENS: Manuel
            Manuel é um elemento do Povo que, consciente da situação em que vive, se sente impotente para sair dela. Simboliza a desilusão e a frustração do Povo português.

PERSONAGENS: D. Miguel Forjaz
            Revela um carácter calculista, prepotente, tirano que se opõe ao progresso por razões pessoais. É primo de Gomes Freire e Governador do Reino; falso e hipócrita, condena o General sem possuir provas.

PERSONAGENS: Principal Sousa
            Atormenta-o o número crescente de pessoas que aprendem a ler pois acredita que a ignorância do Povo facilita a sua moldagem. As ideias de França preocupam-no, revolucionárias, pois colocam em causa o poder eclesiástico.

PERSONAGENS: Beresford
            Representa o domínio do exército inglês em Portugal e preocupa-se em denunciar e castigar os traidores. É autoritário e detém grande poder; é irónico quando se refere a Portugal, país que despreza: ver fala que se inicia em “Como a vida num país pequeno acaba por atrofiar… que farei tudo o que for necessário para os continuar a receber!”
            No seu diálogo com o Principal Sousa, Beresford sente-se superior relativamente a Portugal e àquilo que é português (por exemplo, quando se refere às paisagens inglesas no excerto indicado em cima).
            Ao longo de toda a ação, demonstra desprezo pelos seus companheiros governantes.

FHL - PERSONAGENS ... Vicente (Corvo e Morais Sarmento)


“FELIZMENTE HÁ LUAR!”

PERSONAGENS: Vicente (e os informadores Corvo e Morais Sarmento)

            Vicente representa os denunciantes que não hesitam em recorrer à traição para ascender socialmente.
            As razões que apresenta para as suas opções revelam-no o popular mais consciente da situação miserável em que vive o Povo.
            ** O Povo é uma personagem coletiva, abstrata e constitui o pano de fundo da ação dramática. O Povo é vítima do regime opressor e absolutista, é a classe explorada que vive na ignorância, na miséria e na desilusão. Vicente caracteriza-o muito bem quando, no Ato I, afirma na fala que se inicia em “Tu, José … Tens sete filhos com fome … Disso podes estar certo…”; do mesmo modo, Manuel fá-lo na sua intervenção junto de Matilde (Ato II).

sexta-feira, 30 de março de 2012

FELIZMENTE HÁ LUAR - APONTAMENTOS

SOBRE O TÍTULO…

            A existência de uma exclamação e de um advérbio, Felizmente! aponta para o triunfo dos bons, para a veracidades dos factos, baseados na história (Raul Brandão baseou-se em factos históricos “Vida e Morte de Gomes Freire”).
            O título surge no final, na boca de Matilde vindo assim, criar no texto lido uma circularidade simbólica. O mundo, a vida são constituídos pelo Bom e pelo Mau e este só é vencido pela coragem e pela esperança dos grandes caracteres     ð  revela uma atitude de não conformismo / inconformismo.

TEXTOS  NO TEXTO…
            É possível detetar a existência de dois textos paralelos:
            1 – constituído pelas falas das personagens;
            2 – constituído pelas didascálias.
            No caso de Felizmente Há Luar!  encontramos didascálias que fornecem informações ao leitor relativamente à movimentação dos atores em cena ou ao tom de voz por eles utilizado, de forma a que este conheça melhor as personagens. Estas informações obrigam igualmente o encenador e o diretor de atores a respeitarem o texto.
            Para além destas didascálias surgem outras na obra em causa, mais subjetivas, e que são essencialmente descritivas e explicativas. Através delas, ficamos a conhecer a perspetiva do autor e levam-nos a refletir sobre o que está a decorrer no palco.
  

sábado, 24 de março de 2012

FELIZMENTE HÁ LUAR - Introdução ao Estudo II


FELIZMENTE HÁ LUAR!
                No entanto, o que é importante nesta peça não é a reconstituição histórica dos acontecimentos ocorridos em 1817. Estes constituem uma metáfora do que acontece em Portugal no momento da escrita porque entre os dois tempos há uma relação de analogia:
v  O regime autoritário
v  A ignorância e a miséria do povo
v  A delação
v  A hipocrisia do clero
v  As prisões arbitrárias
v  Os julgamentos sumários
v  As execuções imediatas
v  O assassínio de políticos incómodos
Portugal vive uma época conturbada, com a guerra colonial em Angola no seu início (1961) e a existência de contestações internas (greves, movimentações de estudantes, guerrilhas no seio do próprio poder, vozes apoiantes de eleições livres e democráticas). Existe, podemos concluir, um desagrado geral em termos políticos, económicos e sociais.
As razões que justificam um tal descontentamento devem-se ao facto de se viver sob o regime ditatorial de Salazar e a uma crescente desigualdade entre ricos e pobres: o povo vivia reprimido e explorado, a miséria aumentava, o medo e o analfabetismo; vivia-se no obscurantismo, a PIDE perseguia os suspeitos, os “bufos” viviam disfarçados, espalhando o medo e a insegurança e a censura cortava tudo o que se provava ser contra o governo; repressão e tortura eram medidas recorrentes, condenando-se até sem provas.
        Luís de Sttau Monteiro evoca situações e personagens do passado como pretexto para falar do presente, artificio utilizado pelo dramaturgo para poder criticar a sociedade do seu tempo.

Português B
Dossier Exame 12º
Ed. Asa
 (adap.)