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domingo, 21 de junho de 2015

FELIZMENTE HÁ LUAR - Introdução ao Estudo I


FELIZMENTE HÁ LUAR!
de
Luís de Sttau Monteiro

                Obra escrita em 1961, recebeu o Grande Prémio do Teatro da Sociedade de Escritores e Compositores Portugueses, em 1962.
                Foi representada pela primeira vez em Paris, em Março de 1969. Em Portugal, a censura impediu-a de subir à cena pois o conteúdo não agradava a Salazar.
                Em 1978 é representada no Teatro D. Maria II, numa encenação de Sttau Monteiro o qual a designou “um grito de Liberdade”.
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                A ação decorre em 1817.
                A personagem principal é o General Gomes Freire de Andrade (está sempre presente mas nunca aparece).
                O General é um militar muito prestigiado que foi executado em S. Julião da Barra, acusado de liderar uma conspiração (Conspiração de 1817) contra a Junta Governativa a qual representava o rei de Portugal, D. João VI, refugiado no Brasil desde a 1ª invasão francesa (1807). Com esta conspiração pretendia-se derrubar o regime absolutista e instaurar o liberalismo em Portugal.
                A Junta era constituída por D. Miguel Pereira Forjaz, representante da nobreza; Principal Sousa, representante do clero e William Carr Beresford, poderoso chefe militar nomeado por Sua Majestade Britânica e que “governa Lisboa para ganhar dinheiro”. A chegada de Gomes Freire ao poder implicaria o afastamento ou mesmo a morte dos três e o fim dos interesses que eles representavam. Por esse motivo, Gomes Freire é preso e logo executado com “trinta conjurados” numa noite de lua cheia.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

"FELIZMENTE HÁ LUAR!" - PARALELISMO ENTRE DUAS ÉPOCAS


TEMPO DA HISTÓRIA - SÉCULO XIX - 1817

TEMPO DA ESCRITA - SÉCULO XX - 1961

 
. agitação social que levou à revolta liberal de 1820 - conspirações internas; revolta contra a presença da Corte no Brasil e a influência do exército britânico.
 
. agitação social dos anos 60 - conspirações internas; agravamento da guerra colonial.
 
. regime absolutista e tirânico;
 
. regime ditatorial de Salazar.
 
. hierarquização marcante das classes sociais e receio por parte das classes dominantes de perderem privilégios.
 
. desigualdade social entre abastados e pobres; classes dominantes veem o seu poder reforçado.
 
. povo oprimido e resignado; a miséria, o medo e a ignorância; obscurantismo, mas "felizmente há luar".
 
. povo reprimido e explorado; miséria, medo e analfabetismo; obscurantismos, mas crença nas mudanças.
 
. luta contra a opressão do regime absolutista; a personagem Manuel, "o mais consciente dos populares", denuncia a opressão e a miséria.
 
. luta contra o regime totalitário e ditatorial; agitação social e política com militantes antifascistas em protestos.
 
. perseguições dos agentes de Beresford; as denúncias de Vicente, Andrade Corvo e Morais Sarmento que, sem escrúpulos e hipócritas, denunciam  quem se manifesta contra o poder instituído, censura à imprensa.
 
. perseguições da PIDE; denúncias dos chamados "bufos" que, disfarçados e escondidos na sombra, procuram colher informações para, posteriormente, denunciar; censura.
 
. severa repressão dos conspiradores; processos sumários e pena de morte.
 
. prisão e duras medidas de repressão e de tortura; condenação em processos sem prova.
 
. execução  do general Gomes Freire, em 1817.
 
. posterior a "Felizmente há Luar!" - execução do general Humberto Delgado, em 1965.
 
 
 
 
 
 

sábado, 24 de março de 2012

FELIZMENTE HÁ LUAR - Introdução ao Estudo II


FELIZMENTE HÁ LUAR!
                No entanto, o que é importante nesta peça não é a reconstituição histórica dos acontecimentos ocorridos em 1817. Estes constituem uma metáfora do que acontece em Portugal no momento da escrita porque entre os dois tempos há uma relação de analogia:
v  O regime autoritário
v  A ignorância e a miséria do povo
v  A delação
v  A hipocrisia do clero
v  As prisões arbitrárias
v  Os julgamentos sumários
v  As execuções imediatas
v  O assassínio de políticos incómodos
Portugal vive uma época conturbada, com a guerra colonial em Angola no seu início (1961) e a existência de contestações internas (greves, movimentações de estudantes, guerrilhas no seio do próprio poder, vozes apoiantes de eleições livres e democráticas). Existe, podemos concluir, um desagrado geral em termos políticos, económicos e sociais.
As razões que justificam um tal descontentamento devem-se ao facto de se viver sob o regime ditatorial de Salazar e a uma crescente desigualdade entre ricos e pobres: o povo vivia reprimido e explorado, a miséria aumentava, o medo e o analfabetismo; vivia-se no obscurantismo, a PIDE perseguia os suspeitos, os “bufos” viviam disfarçados, espalhando o medo e a insegurança e a censura cortava tudo o que se provava ser contra o governo; repressão e tortura eram medidas recorrentes, condenando-se até sem provas.
        Luís de Sttau Monteiro evoca situações e personagens do passado como pretexto para falar do presente, artificio utilizado pelo dramaturgo para poder criticar a sociedade do seu tempo.

Português B
Dossier Exame 12º
Ed. Asa
 (adap.)