D. Dinis (clicar aqui)
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| Levantou-s'a velida, | ||||||||
| levantou-s'alva, | ||||||||
| e vai lavar camisas | ||||||||
| eno alto, | ||||||||
| 5 | vai-las lavar alva. | |||||||
| Levantou-s'a louçana, | ||||||||
| levantou-s'alva, | ||||||||
| e vai lavar delgadas | ||||||||
| eno alto, | ||||||||
| 10 | vai-las lavar alva. | |||||||
| [E] vai lavar camisas; | ||||||||
| levantou-s'alva, | ||||||||
| o vento lhas desvia | ||||||||
| eno alto, | ||||||||
| 15 | vai-las lavar alva. | |||||||
| E vai lavar delgadas; | ||||||||
| levantou-s'alva, | ||||||||
| o vento lhas levava | ||||||||
| eno alto, | ||||||||
| 20 | vai-las lavar alva. | |||||||
| O vento lhas desvia; | ||||||||
| levantou-s'alva, | ||||||||
| meteu-s'[a] alva em ira | ||||||||
| eno alto, | ||||||||
| 25 | vai-las lavar alva. | |||||||
| O vento lhas levava; | ||||||||
| levantou-s'alva, | ||||||||
| meteu-s'[a] alva em sanha | ||||||||
| eno alto, | ||||||||
| 30 | vai-las lavar
alva. | |||||||
Albas ou Alvoradas, subgénero a que pertence esta cantiga de amigo, são assim designadas por "acontecerem" ao amanhecer, ao nascer do dia.
Este subgénero foi pouco cultivado em Portugal. Os costumes não eram tão permissivos como outros, nomeadamente da região provençal, e situações como a narrada nesta cantiga, dificilmente poderiam ocorrer.
Nesta cantiga de D. Dinis faz-se a descrição de uma rapariga que se levanta de madrugada e vai lavar roupa que o vento arrasta, deixando-a furiosa.
Fosse esta a simples leitura e tudo pareceria inocente e conforme embora, na realidade, esteja longe de o ser.
Alva simboliza a pureza, a inocência própria da virgindade. No texto, alva pode estar ainda a substituir o próprio amanhecer ou, como adjetivo, referir-se à cor branca, provavelmente da pele da rapariga que será jovem e cuja pele não estará ainda crestada do sol.
Por esta razão, encontramos os termos "velida" e "louçana" significando formosa ou de belo aspeto.
Atente-se no terceiro verso da primeira estrofe
e vai lavar camisas
** camisas são igualmente designadas delgadas
As camisas constituíam a primeira peça de roupa que se vestia, em linho ou seda, quer para o homem quer para a mulher, correspondendo à atual roupa interior; são roupas íntimas, simbolizando a intimidade.
Assim, considere-se o verso
e vai lavar camisas
também ele carregado de simbologia. O ato de lavar camisas, tal como o banho nupcial, era um ritual simbólico da expetativa da noiva; lavar camisas surge associando a água à sensualidade feminina.
Já o vento surge no texto como simbolizando um ambiente agressivo que não se relaciona com a delicadeza da menina. Simboliza preocupações que o amigo lhe provoca ou o sopro fálico, isto é, uma relação sexual.
Simbolicamente, esta cantiga representa uma experiência sexual: acordados pela manhã, um casal de namorados, que terão passado a noite juntos, irrita-se com o nascimento do dia que obrigará a que se separem.
A narração é feita na 3ª pessoa, o narrador não corresponde à pessoa que detém a ação no texto.
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"A renúncia é a libertação. Não querer é poder." Livro do Desassossego - Fernando Pessoa
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
ANÁLISE DA CANTIGA DE AMIGO, ALBA OU ALVORADA "LEVANTOU-S'A VELIDA"
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
TESTE DE AVALIAÇÃO E PLANIFICAÇÃO DAS RESTANTES AULAS
Proposta de data para o Teste de Avaliação - 27 de Novembro (mesmo que, entretanto, se inicie o estudo do conteúdo seguinte, este dia parece-me mais favorável para aqueles que chegam um pouco atrasados.)
Planificação dos conteúdos a abordar:
dia 5 de novembro - Albas ou Alvoradas - "Levantou-s' a velida"; atividades de compreensão;
dia 6 de novembro - atividades de compreensão, correção e abordagem às cantigas de amor;
dia 12 de novembro - cantiga de amor "Que soidade de mha senhora ei,"; atividades de compreensão;
dia 13 de novembro - correção; cantiga de amor "Quer'eu en maneira de provençal"; atividades de compreensão;
dia 19 de novembro - conclusão (?); abordagem às cantigas de escárnio e maldizer; cantiga de escárnio e maldizer "Roi Queimado morreu com amor";
dia 20 de novembro - atividades de compreensão para a cantiga abordada no dia 19 de novembro.
(plano sujeito a alterações mas não relativamente à data prevista para o teste)
*** estejam atentos à atualização do blogue e ao mail. Bom trabalho!
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
TÓPICOS DE ANÁLISE PARA A CANTIGA "AI FLORES, AI FLORES DO VERDE PINO"
Tematicamente, esta cantiga desenvolve-se em torno do apelo que a rapariga faz à Natureza, na tentativa de saber novas do seu amigo ausente e de quem sente saudades.
É possível distinguir dois momentos neste texto: um primeiro constituído pelas quatro primeiras estrofes e um segundo pelas quatro restantes.
Na primeira parte, o sujeito de enunciação questiona a Natureza, aqui representada pelas flores do verde pino, sobre o seu amigo enquanto na segunda estas lhe respondem, tranquilizando-a. Mais uma vez, o estado de espírito manifestado pela menina é de angústia e de incerteza relativamente ao seu amado mas, também, quanto às suas intenções amorosas.
Este momento de diálogo entre a donzela e a Natureza tem como cenário a própria Natureza.
Esta cantiga é constituída por oito estrofes / coplas, dísticos com refrão, monorrimos e monóstico, respetivamente, com rima emparelhada, alternando AA / BB / AA... nos dísticos.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
RESPOSTA AOS TÓPICOS DE ANÁLISE PARA A CANTIGA "ONDAS DO MAR DE VIGO"
1 - A donzela encontra-se desesperada por não saber onde se encontra o seu amigo, se e quando ele virá. Por essa razão questiona as ondas do mar de Vigo, perguntando-lhes se o terão visto.
Nesta cantiga há que considerar duas temáticas: uma relacionada com a saudade sentida pelo "eu" que assim o manifesta - temática amorosa (estrofes III e IV); outra, diretamente ligada à presença do mar, ou tema marítimo, correspondente às estrofes I e II, relativas ao apelo que é feito às ondas do mar.
2 - O sujeito poético encontra-se aqui representado pela figura feminina, a menina, sendo o destinatário das suas palavras o mar que ela questiona- destinatário literário.
3 - Como já foi afirmado, a menina sente-se desesperada face ao que poderá ter acontecido ao seu amigo e a comprová-lo temos as seguintes expressões:
* "o por que eu sospiro!"
* " por que hei gram coidado"
* o refrão que denuncia este estado de espírito através da utilização da expressão "e ai Deus" como numa súplica final, encerrando cada estrofe.
4 - As causas desta preocupação devem-se ao facto de o amigo se encontrar em paradeiro desconhecido, longe mesmo.
As questões que a menina coloca são bem prova disso e há que salientar os dois momento de uma mesma questão:
"se vistes (...) e (...) se verrá cedo!"
5 - Toda esta angústia assenta na preocupação se ele terá sido visto e na manifestação do desejo de que ele regresse logo, depressa (ver exemplo de 4..
6 - As ondas do mar têm uma dupla função, por um lado, representam o obstáculo que separa os dois amigos ou amados e que, pelas suas características, mar levado, com ondas (encapelado), dificulta a aproximação entre ambos. Por outro lado, o mar desempenha nesta cantiga o papel de confidente da menina, tal como se fosse a sua mãe ou uma amiga.
7 - Outras técnicas que intensifiquem o sentimento manifestado pela menina são:
* a predominância de frases exclamativas;
* a interjeição "e ai Deus" num apelo às forças divinas;
* numa segunda leitura, o facto de as ondas não lhe darem resposta o que poderá aumentar a angústia sentida pela rapariga.
* a predominância de frases exclamativas;
* a interjeição "e ai Deus" num apelo às forças divinas;
* numa segunda leitura, o facto de as ondas não lhe darem resposta o que poderá aumentar a angústia sentida pela rapariga.
8 - Existem nesta cantiga termos ou vocábulos ligados à área vocabular de mar como sejam, ondas, mar e mar levado para além do próprio cenário em que a menina se encontra.
sábado, 25 de outubro de 2014
TÓPICOS DE ANÁLISE PARA A CANTIGA "ONDAS DO MAR DE VIGO"
INDICAR:
- tema;
- sujeito poético e o destinatário;
- estado de espírito do sujeito poético, referir as causas e justificando com expressões do texto;
- sujeito de enunciação manifesta uma preocupação e um desejo... refira-os e distinga-os;
- qual o papel das ondas do mar;
- o refrão, enquanto técnica de repetição, intensifica o sentimento manifestado pela rapariga mas existem outros processos que contribuem para essa intensificação; refira-os;
- quais os motivos que nos permitem inserir esta cantiga nas barcarolas ou marinhas.
ANÁLISE DA CANTIGA DE AMIGO "ONDAS DO MAR DE VIGO,"
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sexta-feira, 10 de outubro de 2014
ANÁLISE DA CANTIGA DE AMIGO "SEDIA-M'EU NA ERMIDA DE SAM SIMION"
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