Frei Luís de Sousa é constituído por três atos, sendo que o primeiro e o terceiro têm doze cenas e o segundo ato, quinze. Verificamos, assim, estarmos perante um texto organizado de forma tripartida, regular e harmoniosa.
ESTRUTURA INTERNA
Nela há a considerar três partes ou momentos:
Exposição – Ato I, Cenas I a IV
Através das falas das personagens tomamos conhecimento dos antecedentes da ação que explicam as circunstâncias atuais; conhecemos igualmente as personagens e as relações existentes entre elas.
Conflito – Cenas V a XII do Ato I, Ato II e até à Cena IX do Ato III
Desenrolar gradual dos acontecimentos, em que se vivem momentos de tensão e de expetativa – no caso de FLS, desde o conhecimento de que os governadores espanhóis escolheram o palácio de Manuel de Sousa para se instalarem até ao reconhecimento do Romeiro (Clímax) – e que desencadearam uma série de peripécias.
Desenlace – Ato III, Cenas X a XII
Desfecho motivado pelos acontecimentos anteriores – dá-se a consumação da tragédia familiar em que Maria morre e os seus pais se veem obrigados a separar-se, morrendo um para o outro assim como para a vida terrena.
·as personagens não estão com a sua consciência centrada neles
próprios, enquanto seres individuais, pois cada um deles tem uma
relação objetiva com o destino histórico da sua Pátria, com o que ela é.
## o fim das personagens principais aponta
para o fim do próprio país!
... um país que não tem presente mas umpassado(este passado chega mesmo a ser
representado pelo Romeiro, como elemento trágico para uma família, para um
país).
## Oliveira Martins chama-lhe
"a tragédia portuguesa, sebastianista".
é um texto dramático que põe em cena o sentimento
português e o jogo dos afetos humanos.
## ler FLS exige a descodificação
dos seus símbolos e mitos e oSebastianismoé a base que estrutura e organiza a
mensagem.
o fogo, que é deitado ao palácio, é o único
ponto/gesto positivo do herói MSC, cujo retrato arde nesse mesmo incêndio.
oRomeiro(D. João de Portugal) é um falso D. Sebastião
desejado por todos e será ele quem os destruirá com o seu regresso.
ele dizNinguém!, representativo do rosto de um Portugal morto,
só com passado e sem esperança, perspetivas num futuro ou de mudança.
## FLS é escrito em 1843, quando o
despotismo de Costa Cabral e a corrupção do regime ameaçavam o país com uma
guerra civil. Esta obra representa igualmente o protesto e a recusa de todas as
formas de tirania e opressão política, moral ou religiosa.
## para Almeida Garrett, o conceito
de progresso encontra-se ligado ao de Liberdade.
## do conjunto de personagens de FLS
apenas Maria representa uma esperança e um futuro.
## todas as personagens são símbolos
da Pátria nos vários momentos - passado, presente e futuro.
- Qual a sua motivação ao escrevê-la? São
várias as hipóteses que se colocam:
- Razões pessoais e familiares?
(a morte de Adelaide, que lhe deixa uma
filha ilegítima);
- Razões políticas?
A crise que Portugal atravessa; espera-se
que este ressuscite (Portugal sofria com os ideais liberalistas e com a
ditadura de Costa Cabral)
- Razões literárias?
Existência de várias obras retratando
esta temática.
Sobre a classificação
literária de F.L.S. enquanto género literário.
Para os gregos, a tragédia era a forma
superior do género dramático.
Almeida Garrett cria um género
híbrido, formado a partir de elementos de categorias diferentes em que
mistura oDramae aTragédia.
Problemática da classificação da obra
Almeida Garrett, naMemória
ao Conservatório Real de Lisboa, afirma:
- FORMA (Drama) ---Drama
Romântico: expressa literariamente um determinado estado social.
- tem 3 atos;
- texto escrito em prosa (adapta-se
melhor à expressão de sentimentos das personagens);
- respeita a lei das 3 unidades (Ação,
Espaço e Tempo);
- tem elementos trágicos.
- ÍNDOLE (Tragédia)
- assunto retirado da história nacional;
---tal como no Drama Romântico em que a ação da peça
"esconde" uma situação real.
- ação dramática e trágica;
- poucas situações, poucas personagens e
atitudes simples;
- personagens tementes a Deus e honestas;
---tal como no Drama Romântico em que o ser humano é
alvo de uma atenção analítica; faz-se a exaltação dos valores patrióticos e
religiosos.
- nem amores, nem aventuras, nem paixões,
nem violências;
Não está escrita em
verso por isso contenta-se com o título modesto de Drama, mas um Drama Moderno
porque, pela forma, não merece a categoria mas pela índole, há de ser um antigo
género trágico.
Há, nos confins da Ibéria, um povo que não se governa nem se deixa governar.
Palavras de Júlio César aquando da sua chegada à Península Ibérica e por ocasião das guerras púnicas que trouxeram os romanos até nós.
Tê-lo-á dito por desespero mas por razões melhores do que aquelas que me trazem a este Sentir (assim!) Português.
Quem me conhece sabe que o meu clube é a Seleção.
O meu garoto tinha 4 anos quando aprendeu o Hino Nacional com o Euro em 2004. Não me choca que tenha sido este o meio, choca- me, sim, que esse tenha sido o possível em âmbito alargado.
E estamos de novo no Euro. Nas meias-finais. O que parece agradar particularmente aos emigrantes; quantos aos residentes, não sei o que pensar.
São inúmeras as críticas a tudo e todos, em que tudo e todos levam por tabela: selecionador, jogadores, falta de golos, empates... até parece que mais valia nem termos sido apurados.
E todos esquecem que equipas favoritas, afinal, entraram de férias mais cedo, que a Alemanha e a Itália, duas das favoritas ao título, disputaram os quartos a penaltis, imagine-se - alguém viu? - e nós, nas meias, somos os patinhos feios da história.
Oh! Tristeza de gente, não digo de povo, mas de gente, de alguns que deviam ser nenhuns - desculpem-me, mas em matéria de Pátria, Nacionalismo e afins, não considero qualquer direito à diversidade de opinião. O caminho é único.
O meu respeito por todos os emigrantes que acordam os dias no centro de estágios em França, que por lá permanecem, que esperam a saída da seleção e a sua entrada depois dos jogos, que acreditam, que gritam, que apoiam, sem vergonha de se manifestarem, de darem a cara mesmo que Portugal não passe e que veem nesta ascensão de etapas, uma forma de provarem ao povo francês que também conseguem estar ao seu nível e, como dizia hoje numa reportagem um emigrante, foi o povo português que ajudou a construir parte dos estádios, o mesmo que colabora para que aquele país seja o que hoje é - e nós, lembramo-nos deles e de outros por esse Mundo fora, como?
E sim, estou zangada. Custa-me que também os estrangeiros entrevistados nos apoiem e que uma parte de nós desacredite das nossas capacidades... porque não se trata aqui, diga-se, de uma questão de capacidades, mas de brio, de falta de saudade, a mesma que os emigrantes sentem do seu País, assim levado até eles através de umas dezenas de desportistas. Dizem, é um orgulho termos aqui perto um pedacinho do nosso Portugal... o mesmo a que nos habituamos porque nele vivemos e de que sentiremos falta se tivermos de o abandonar.
Um dia, o meu garoto, então com 10 ou 11 anos, perguntou-me se eu sentia orgulho em ser portuguesa (início da crise, alma um pouco abalada, enfim...) Disse-lhe que quem não tinha Pátria não tinha nada; mesmo quando se tem apenas as pedras para pisar, temos um teto; e que mesmo que esse País nos desgoste, é como um filho que nunca deixa de o ser por maiores que sejam os seus defeitos.
Como podem, então, estes filhos de lado nenhum, esquecerem o modo como certos jornalistas franceses nos classificaram? Neste momento, esse é o ponto de honra para os nossos emigrantes e que os obriga a clamarem por justiça. O tal brio, afinal.
Melhor do que tudo isto, só mesmo a iniciativa do nosso portuguesinho de 7 anos gigantes a apelar ao apoio à seleção, recorrendo ao exemplo islandês que considero das melhores experiências já vistas. Muito teremos a aprender, certamente...