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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

"FREI LUÍS DE SOUSA": O ESPAÇO NO ATO I




ATO I
ESPAÇO

- vila de Almada
- Pontal de Cacilhas
- vista sobre o Tejo, com faluas, e Lisboa
- próximo do convento de S. Paulo (“quatro passadas”)
- palácio de Manuel Sousa Coutinho, com um eirado
- câmara antiga; luxo, elegância
- retrato de Manuel de Sousa Coutinho
- bufete com livros, tapeçarias, porcelanas
- cadeira antigas, tamboretes, contadores


in nº 21, Texto Editora

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

"FREI LUÍS DE SOUSA": O TEMPO NO ATO I


ATO I
TEMPO

- princípio do século XVII
- fim da tarde
- reformistas da Alemanha (cena 2)
- desavenças entre portugueses e castelhanos (cena 2)
- peste em Lisboa
- “depois daquela jornada de África que me deixou viúva” (cena 2)
- sete anos de buscas (cena 2)
- segundo casamento de D. Madalena há catorze anos (cena 2)
- noite fechada (cena 7)


in nº21, Texto Editora


"FREI LUÍS DE SOUSA": AS PERSONAGENS, ATO I: MADALENA


ATO I
PERSONAGENS
Madalena

- da família dos Vilhenas
- culta, dedicada à leitura (cita versos do episódio “Inês de Castro” de Os Lusíadas)
- frágil, sensível, fraca, dominada por medos e terrores (cena I)
- grata pela prontidão, servilidade de Telmo; respeita-o como a um familiar (cena 2)
- preocupada com a influência que Telmo exerce sobre Maria (cena 2), admoestando-o neste sentido
- reconhecida pela consideração e afeto que Telmo lhe dedicou logo que se casou  com 
D. João de Portugal (cena 2)
- preocupada em relação à sensibilidade / debilidade da filha (cenas 2, 3)
- fiel à memória do primeiro marido, durante 7 anos procedeu a buscas (cena 2)
- ama o segundo marido; sempre respeitou o primeiro (cena 2)
- ciumenta pela devoção que Telmo dedica a Maria (cena 2)
- constrangida pelo facto de Telmo intensificar os seus temores (cena 2), acusando-o por isso
- assustada com a possibilidade de D. João de Portugal viver ainda – “quimera”, “fantasma” (cena 2)
- preocupada com o atraso do marido que fora a Lisboa (cenas 2, 5)
- receosa, impotente perante a ação do marido face aos “poderosos” (cena 7)
- fraca, com falta de coragem para enfrentar a antiga casa (cena 7)
- obediente ao marido (cena 8)
- indiciadora de desgraças, calamidades (cena 8); pânico, presságios “três dias, três horas”
- supersticiosa, tenta salvar, em vão, o retrato de Manuel de Sousa Coutinho (cena 12)


in nº 21, Texto Editora






domingo, 13 de novembro de 2016

"FREI LUÍS DE SOUSA": AS PERSONAGENS, ACTO I, TELMO


ATO I
PERSONAGENS
Telmo
- crente, respeitador a Deus (cena 2)
- de baixa condição – não sabe latim (cena 2)
- fiel servidor, leal amigo de seus amos, a quem admira, prevalecendo a admiração e devoção por D. João de Portugal (cena 2)
- devoto a Maria (cena 2)
- respeitado e estimado por Madalena e Maria
- íntimo de Madalena, conhece os verdadeiros sentimentos desta (cena 2)
- amável e bondoso, deu carinho, proteção e amparo a D. Madalena logo que casou com D. João e após a viuvez (cena 2)
- autor de agouros e profecias (cena 2)
- crente de que D. João continua vivo após vinte e um anos (cena 2)
- crente da reciprocidade de estima por D. João de Portugal (cena 2)
- consciente da falta de amor de D. Madalena para com D. João de Portugal, apesar de reconhecer àquela respeito, devoção, lealdade (cena 2)
- substituto de D. João nos ciúmes que este não teve (cena 2)
- consciente da fragilidade, debilidade, doença de Maria
- amigo e apreensivo com a preocupação de Madalena em relação a Maria, compromete-se a não verbalizar a sua crença sebastianista e / ou regresso do primeiro amo junto de Maria (cena 2)

in nº 21, Texto Editora



sábado, 12 de novembro de 2016

"FREI LUÍS DE SOUSA": AS PERSONAGENS, ATO I, MANUEL DE SOUSA COUTINHO

ATO I
PERSONAGENS
Manuel de Sousa Coutinho

- da família dos Sousa; Cavaleiro de Malta
- inteligente, ativo (cenas 7, 9 10)
 nervoso, agitado, revoltado – cena 7
- prudente, toma as devidas precauções (cenas 7, 9); cauteloso, não se deixa surpreender; de decisões rápidas (cena 9)
- indiferente, despreza os receios da mulher em voltar à antiga casa, impõe a sua vontade, relativiza, inferioriza os temores dela – “caprichos” (cena 8)
- tranquiliza a mulher e pede-lhe que lhe faça o mesmo, não se deixando dominar por “vãs quimeras de criança” (cena 8)
- não sente ciúmes do passado de D. Madalena com D. João (cena 8)
- patriota, íntegro (cenas 8, 10, 11, 12); despreza a tirania (cena 10); compara-se a seu pai que morrera pela própria espada (cena 11)

in nº 21, Texto Editora


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

"FREI LUÍS DE SOUSA": AS PERSONAGENS, MARIA

ATO I
PERSONAGENS
Maria
- 13 anos
- curiosa, interessada, instruída, célere no entendimento, precoce (cenas 2, 3]
- formosa, fraca, frágil, doente – tísica (cens 2, 3)
- bondosa, pura, inocente (cena 2)
- estima, admiração por Telmo e à vontade perante este (cenas 2, 3)
- preocupada com a voz do povo que continua à espera de D. Sebastião (cena 3)
– perplexa por ninguém querer ouvir falar no regresso de D. Sebastião - exceto Telmo (cena 3)
- inconsciente da sua doença (cena 3)
- apreensiva com a preocupação da mãe em relação a ela (cena 4)
- com poderes sibilinos, adivinhatórios (cena 4); prevê a chegada do pai à distância (cena 5)
- diferente das outras crianças: responsável, adulta (cena 4)
- desgostosa por não ser um rapaz que pudesse ajudar o pai (cena 4)
- solidária com o povo que não pode sair da cidade para mudar de “ares” (cena 5)
- adulta, opina sobre a necessidade de remediar o desconcerto, as injustiças do mundo (cena 5)
- infantil pelo desejo de presenciar uma batalha que impedisse os governadores de se instalarem (cena 5)
- orgulhosa do caráter nobre e patriótico do pai (cena 7)

in nº 21, Texto Editora

quarta-feira, 1 de junho de 2016

O GEBO E A SOMBRA - ATO I




Clara Nunes Correia
A Negação do Tempo, UNL

Reler os textos de teatro obriga a uma auto-disciplina. Não são fáceis nem divertidos.

A condição humana é retratada de forma crua, as personagens são construídas rigorosamente para existirem sempre.





Em O Gebo e a Sombra o tema dominante é a pobreza.

A pobreza associada à desgraça e à desonra, ou antes, a pobreza como contrapartida para conservar a honra e a honestidade.

No Ato Primeiro, o espaço é uma casa pobre. Intervêm Gebo, Doroteia e Sofia; esta última é mulher de João, filho do casal, o qual se encontra desaparecido há 8 anos.

Sem certezas declaradas, são várias as hipóteses colocadas para explicar este desaparecimento: talvez esteja preso, talvez ande fugido, talvez "ande a monte". Raul Brandão não nos conta a verdade, não dá a conhecer a realidade, a verdade, apenas faz alusão à situação.

Só Sofia e Gebo conhecem a verdade e é esse o seu fardo, o que os faz sofrer, podemos quase afirmá-lo, a sua sombra. Esta é também a verdade que nos ilude sempre.

Gebo e Sofia mentem a Doroteia, a Mãe, aquela que acredita que o seu filho é um "bom menino", o mesmo que emigrou para ganhar a vida e sair daquela pobreza.

Gebo não fala, não diz nada e foge às perguntas de Doroteia; no entanto, sofre quando afirma não saber nada de João. Procura refúgio nas suas contas, nos livros de contabilidade que são o centro do seu trabalho.

Sofia também sofre: com o sofrimento em que imagina o seu marido, com o sofrimento do velho a quem chama Pai, com o seu próprio sofrimento e com a mentira que é a raiz da pobreza.