quinta-feira, 17 de março de 2016

EÇA DE QUEIRÓS, SÉC. XIX EM IMAGENS, MOMENTOS DA HISTÓRIA (1)




Lisboa. Entrada do Passeio Público do Rossio meados do séc. XIX
Passeio Publico do Rocio
Litografia, S., ca 1850
BN E. 1689 P.





Àquela hora D. Felicidade e Luísa chegavam ao Passeio.


O Primo Basílio, 1878







Lisboa. Lago superior do jardim de S. Pedro de Alcântara - último quartel do séc. XIX
Passeios publicos de Lisboa. O passeio de S. Pedro de Alcantara
Gravura seg. fotografia, Hildibrand, 1884
BN J. PP. 4807 A.





Tinham entrado em S. Pedro de Alcântara; um ar doce circulava entre as árvores mais verdes; o chão compacto, sem pó, tinha ainda uma ligeira humidade; e apesar do sol vivo, o céu azul parecia leve e muito remoto
O Primo Basílio
, 1878








domingo, 13 de março de 2016

CAFÉ NICOLA... DESTA MINHA LISBOA






Café Nicola



Desde há muito o Café Nicola tornou-se não apenas um símbolo do Rossio como da própria Lisboa das Tertúlias. Este foi o café preferido de Bocage. Hoje, reabilitado, continua a encantar com o seu charme de outras épocas.
No século XVIII, um italiano de nome Nicola inaugura no Rossio um dos primeiros cafés de Lisboa, o “Botequim do Nicola”. Cedo, o estabelecimento começa a ser frequentado por escritores, artistas, políticos. Alguns frequentavam o café com tanta assiduidade que fizeram dele a sua própria casa, como foi o caso de Manuel Maria Barbosa du Bocage.
Mas o café que nasceu com a baixa pombalina e que se tornou célebre no tempo de D. Maria I, acabou por fechar. Pela mesma morada passaram outros estabelecimentos comerciais. Só em 1928, Joaquim Fonseca Albuquerque o adquire por trespasse, comprando também os armazéns que o separam da rua 1º de Dezembro, e recupera a casa a que chamou “Café Nicola”, o sítio onde o poeta ia tomar café.




No dia 2 de Outubro de 1929 é inaugurado com toda a pompa o Café Nicola. Desde a fachada exterior da autoria do arquiteto Norte Júnior, distinguido com vários prémios Valmor, até à baixela em prata, nenhum pormenor foi descuidado. No interior, a talha de madeira, os ferros forjados e muitos lustres compunham a decoração. Uma escultura de Marcelino de Almeida que evocava Bocage surpreendeu todos os que acorreram ao renascido café. O poeta era também a personagem principal das telas do pintor Fernando Santos que adornavam as paredes do estabelecimento.
Primando pela qualidade, a família Albuquerque quis marcar a diferença ao criar o seu próprio café. Os cafés vendidos eram selecionados pelo proprietário e torrados em empresas especializadas, passando a ser comercializado e tornando-se Nicola uma marca.





sábado, 12 de março de 2016

LOCAIS A VISITAR EM LISBOA - A CASA DO ALENTEJO ÀS PORTAS DE SANTO ANTÃO




Casa do Alentejo – Rua das Portas de Santo Antão, 58



Mais uma vez os dedos desfolharam artigos antigos, amarelos, de fonte e data obscura. Neste caso, o artigo saiu na revista ilustrada do jornal A Capital, numa data desconhecida. O artigo é de Manuela Costa o qual irei adaptar e complementar com algumas informações dos sites encontrados na Net.





Escadaria da entrada principal





Antigo Palácio Pais do Amaral – família proprietária, a Paes do Amaral, Viscondes de Alverca (¹) ; Palácio de S. Luís – designação que se deveu ao facto de se situar em frente de uma igreja com esse nome; antiga residência dos condes de Alverca  (¹)  e hoje Casa do Alentejo, este edifício encontra-se situado bem no centro da cidade e é um local cuja visita é obrigatória ou não fosse uma construção cuja beleza ganha naturalmente a classificação de Arte para quem o visita e se deslumbra.

(¹) – encontrei as duas informações, semelhantes e diferentes, que aqui deixo. :)









Salão Árabe








Habitado pelos seus proprietários até 1910, foi abandonado por estes por altura da implantação da República. Na verdade, tal como grande parte dos representantes das casas nobres portuguesas, também a de Alverca saiu do país, rumando a Espanha.

Despovoado durante bastante tempo, as suas instalações deram lugar a uma estância de madeiras. No ano de 1917 instala-se aí  o Casino Magestic Club após obras de remodelação e uma vez que a destruição de certas partes da sua arquitetura, nomeadamente a entrada principal e o andar térreo onde se instalaram várias casas comerciais, o tinham descaracterizado.

“A entrada então possível era a lateral, situada junto às escadinhas de S. Luís, porta essa indigna de um casino por ser a de ingresso ao pátio das cocheiras.”

Foi, pois, necessário criar uma nova porta principal na Rua das Portas de Santo Antão. Sob a responsabilidade do arquiteto Silva Júnior, a nova porta passou a ter acesso direto ao pátio e ao interior do palácio.
“Embora destoando do estilo original, a obra realizada pelo arquiteto é de grande beleza. A porta principal, bastante modesta, foi a única possível face à exiguidade de espaço disponível. No entanto, o maravilhoso pátio árabe coberto, em que a mão do artista transformou o antigo pátio das cocheiras, compensa amplamente a pobreza da entrada. Terminadas as obras, nele se instala o Casino Magestic Club.”

Infelizmente, esta época de ouro do Casino não resiste ao assassinato de Sidónio Pais, uma vez que foi dele que partiu a conspiração que viria a vitimar o estadista e que conduziu ao seu encerramento.

É reaberto anos mais tarde como Monumental Club de Lisboa.

Em 1932 o palácio é alugado pelos proprietários a um grupo de alentejanos que pretendia instalar ali a Casa do Alentejo.

No ano de 1981 a direção da Casa do Alentejo resolve, com um enorme esforço financeiro, adquirir o palácio aos herdeiros dos Condes de Alverca. Objetivo: transformar o espaço num museu ativo, para portugueses e estrangeiros.




Material não lhes falta…



A sua biblioteca possui 10 000 volumes, alguns deles exemplares raros, outros únicos. Os azulejos que cobrem grande parte das salas e os vitrais da escada que conduz ao pátio árabe são do século XVIII. Outros, os que cobrem a sala de jogos, têm como tema motivos regionais de norte a sul e são da autoria de Jorge Colaço. Um pátio descoberto do palácio apresenta orgulhosamente restos da muralha fernandina. O pátio árabe foi restaurado por uma empresa cinematográfica americana que assim pagou a cedência do espaço para filmagens. De referir ainda a existência de um salão de espelhos, decorado com frescos e talha dourada.




Hall do 2º andar




Restaurante


a consultar:


http://www.prof2000.pt/users/avcultur/luisjordao/cadernalentejo/caderno01/page040.htm



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

"OS MAIAS": LEITURAS E OPINIÕES



Outro defeito dos Maias - é o autor ver apenas ridí­culos, sempre ndículos, só ridículos, na sociedade de Lisboa; ver apenas personagens de caricatura, que o autor se compraz a mostrar e a flagelar com a sua terrível iro­nia. Daqui a mfenondade da obra...
Inferioridade?!... Em primeiro lugar nunca nenhuma Crítica se lembrou de exigir dum artista que mude de temperamento - como se muda de camisa! O tempera­mento de humorista do sr. Eça de Queiroz leva-o cons­tantemente a ver cómico. Ora querer exigir da natureza crítica do sr. Queiroz, que se transforme numa natureza contemplativa e optimista - é exigir de mais da ciência. E se a medicina o pudesse fazer - que mina para Portugal :-3-r: — ir zi ~e_s Doiíticos que infestam e assolam o pais. em bons políticos e em bons patriotas...
Mas. daxemos a blague, e falemos seriamente. Por acaso a obra de Zola é uma obra inferior por ser ilumi­nada toda eia por um terrível e implacável pessimismo?... Por acaso o Livro dos Snobs de Thakeray é uma obra infe-ncr zc-ce ~cst-a apenas os ndículos da sociedade inglesa?... Por acaso alguém se lembrou de exigir de Gavarní e de Daumier que fizessem outra cousa que não fosse só caricatura: e por toda a sua obra ser uma carica­tura permanente, essa obra é por acaso inferior?... Quem é que em Portugal tem escrito com mais vigor e mais verdade a história do nosso tempo - senão Bordallo Pinheiro?... E os elementos notáveis que esse artista deixa para a história da nossa geração - não passam de simples caricaturas, mas onde a Verdade brilha em toda a sua pureza...
Otjrica ce Manano Pina (publicada na revista Ilustração de 1888)

sábado, 13 de fevereiro de 2016

TESTE DE LITERATURA: ANTÓNIO NOBRE...



LER E IDENTIFICAR AS TEMÁTICAS NOS POEMAS ABAIXO E RELACIONÁ-LAS COM A TEORIA  DO POST ANTERIOR.

Que Aborrecido!
Meus dias de rapaz, de adolescente,
Abrem a bocca a bocejar sombrios:
Deslizam vagarozos, como os rios,
Succedem-se uns aos outros, egualmente.

Nunca desperto de manhã, contente.
Pallido sempre com os labios frios,
Oro, desfiando os meus rozarios pios...
Fôra melhor dormir, eternamente!

Mas não ter eu aspirações vivazes,
E não ter, como têm os mais rapazes,
Olhos boiando em sol, labio vermelho!

Quero viver, eu sinto-o, mas não posso:
E não sei, sendo assim, emquanto moço,
O que serei, então, depois de velho...

António Nobre, in 'Só' 








Epílogo
Meu coração, não batas, pára! 
Meu coração, vae-te deitar! 
A nossa dor, bem sei, é amara, 
A nossa dor, bem sei, é amara... 
Meu coração, vamos sonhar... 
Ao mundo vim, mas enganado. 
Sinto-me farto de viver: 
Vi o que elle era, estou massado, 
Vi o que elle era, estou massado... 
Não batas mais! vamos morrer... 
Bati á porta da Ventura 
Ninguem m'à abriu, bati em vão: 
Vamos a ver se a sepultura, 
Vamos a ver se a sepultura 
Nos faz o mesmo, coração! 
Adeus, Planeta! adeus, ó Lama! 
Que a ambos nós vaes digerir... 
Meu coração, a Velha chama, 
Meu coração, a Velha chama... 
Basta, por Deus! vamos dormir... 

António Nobre, in 'Só' 








Natal d'um Poeta
Em certo reino, á esquina do planeta,
Onde nasceram meus Avós, meus Paes,
Ha quatro lustres, viu a luz um poeta
Que melhor fôra não a ver jamais.

Mal despontava para a vida inquieta,
Logo ao nascer, mataram-lhe os ideaes,
A falsa-fé, n'uma traição abjecta,
Como os bandidos nas estradas reaes!

E, embora eu seja descendente, um ramo
D'essa arvore de Heroes que, entre perigos
E guerras, se esforçaram pelo ideal:

Nada me importas, Paiz! seja meu amo
O Carlos ou o Zé da Th'reza... Amigos,
Que desgraça nascer em Portugal!

António Nobre, in 'Só' 






Poveiro
Poveirinhos! meus velhos pescadores! 
Na Agoa quizera com vocês morar: 
Trazer o lindo gorro de trez cores, 
Mestre da lancha Deixem-nos passar

Far-me-ia outro, que os vossos interiores 
De ha tantos tempos, devem já estar 
Calafetados pelo breu das dores, 
Como esses pongos em que andaes no mar! 

Ó meu Pae, não ser eu dos poveirinhos! 
Não seres tu, para eu o ser, poveiro, 
Mail-Irmão do «Senhor de Mattozinhos»! 

No alto mar, ás trovoadas, entre gritos, 
Promettermos, si o barco fôri intieiro
Nossa bela á Sinhora dos Afflictos

António Nobre, in 'Só' 


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

FARIA-O vs FÁ-LO-IA



Manda a regra geral que os pronomes pessoais átonos


me - te - o - a - nos - vos - os - as - lhe - lhes

se coloquem após o verbo, ou na chamada posição enclítica.


exemplo: Telefono eu ao avô, aliás, telefono-lhe logo à noite.


No entanto, no Futuro do Indicativo e no Condicional, esses pronomes colocam-se em posição mesoclítica, ou seja, antes das terminações de tempo e pessoa

exemplo: Eu, se pudesse, telefonar-lhe-ia agora.


exemplos para resolver...

1 - Ontem, devolvi  o livro ao professor de português. 

** Devolvi-...

2 - Enviarei ao José as encomendas conforme o pedido.

** Enviar-...

3 - Qual dos alunos se irá candidatar à vaga?

** Ele candidatar-...





segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

ANTÓNIO NOBRE



Algumas notas a propósito da obra e da vida de António Nobre, sabendo que a primeira não poderá dissociar-se da segunda.

As primeiras notasque se seguem foram retiradas do último capítulo, Considerações Gerais, da obra António Nobre e o Simbolismo em Portugal, Dissertação de Mestrado, de Liliana Carla Correia Martins.
Optei pelas informações que me pareceram mais importantes.


v António Nobre revelar-se-ia um dos poetas mais renovadores do fim-de-século, traçando e abrindo novas linhas à literatura que se lhe seguiria;
v Em , a única obra publicada em vida do poeta, é possível notar-se um estilo decadentista dando a ver uma prática que se enquadra nas correntes da geração finissecular do século XIX português: ultrarromântica, decadentista, saudosista e simbolista,(…);
v  O ambiente espiritual surgido em Portugal ocorreria pelas mãos dos «Vencidos da Vida», cujo especial relevo terá sido concedido a António Nobre, também ele membro desse grupo;
v “Só” apresenta-se como uma obra que congrega várias tendências caraterísticas do fim-de-século. Nela, se poderá encontrar o decadentismo, o saudosismo e o sentido profético, próprio de um período de transição que combina oposições e antagonismos. Notámos um tom original e muito próprio de dizer e sentir capaz de desdobrar a autobiografia do poeta na do seu país;
v o Saudosismo presente na obra revela a transformação da saudade da infância na saudade de um país que tinha sido glorioso;
v tal como a maioria dos poetas finisseculares, António Nobre reuniria temas decadentistas como a morte, a dor, o tédio, a solidão, o isolamento e a doença física e psicológica cuja cura pode provocar a fuga para outras dimensões do mundo, levando o poeta ao desespero;
v António Nobre cresceu numa época marcada pelo Decadentismo, pela desilusão, pelo desalento e pelo futuro incerto que a passagem de século esconde na sua neblina, tendo o poeta cultivado o sonho e a interiorização através de imagens e símbolos;
v no último capítulo de Só persiste o tema da Morte que percorre todo o texto. A presença dessa temática assume um papel de destaque na obra de António Nobre, podendo também representar o estado decadente de Portugal, país que caminha para um fim sem esperança;
v a sua obra permite não apenas o sujeito poético como também a cultura portuguesa do século XIX. Através das suas memórias registadas nos seus textos, é possível deduzir como seriam as tradições, o quotidiano dos homens que trabalhavam no mar ou na terra, as práticas religiosas do povo, a história e a paisagem, sobretudo a do norte de Portugal, onde o poeta nascera. Foi possível, também, depreender-se, através das evocações da memória individual e coletiva, a agitação de um fim de século cindido entre o avanço da modernidade e o apego à terra rural, entre uma política desorganizada que levou o país à derrocada e a quimera de voltar à grandeza imperial que Os Descobrimentos tinham trazido;
v são estes momentos da vida do sujeito poético que correspondem aos da sua pátria.

Outras considerações…
*    a sua Poesia reflete uma ironia amarga face à decadência de Portugal;
*    Nobre faz questão de lembrar todo o passado grandioso do povo português sem esquecer que descendia dessa raça de “Navegadores”;
*    o pai e a mãe desaparecem; do pai diz que é bom, egrégio e a mãe, uma santa;
*    – obra dirigida a alguém, aos pais do Poeta, do autor, os bons portugueses, isto é, as suas origens; nela estão presentes as emoções da sua infância e da sua adolescência;
*    ainda em , a desilusão com o seu país: ele e os seus companheiros sentem o desalento por não os deixarem cumprir os sonhos por questões políticas; sente-se o desespero e angústia do sujeito poético perante a sua impotência em transformar o próprio destino e o do seu país, dado que ambos se encontram no mesmo desalento rumo ao abismo;
*    concluindo, António Nobre mostra-nos através daquele que é considerado por si como «o livro mais triste que há em Portugal» parte da decadência de um povo que no passado fora glorioso.