sábado, 16 de maio de 2015

ACORDO ORTOGRÁFICO - USO DO H E DO HÍFEN (i)

            Na faculdade, tive uma professora de Estudos Linguísticos que, a propósito do uso do hífen, nos disse que este domínio era o que, desde sempre, maior discussão tinha causado entre alguns estudiosos da Língua, que nunca estavam completamente de acordo.
            Bom, celeuma e regras à parte, estas são as regras meus senhores…

1.
Na generalidade, o h é carta fora do baralho, inexistente, sem som, sem voz, foi descartado o que significa, afinal, manter-se presente.



anti-higiénico

anti-histórico

co-herdeiro

macro-história

mini-hotel

proto-história

sobre-humano

super-homem

ultra-humano




Exceção: subumana (neste caso, a palavra humana perde o
h).
2.
            Continua a utilizar-se o hífen quando a primeira palavra termina com a mesma letra com que se inicia a segunda palavra.
            Exemplos: micro-ondas – hiper-realismo – anti-inflamatório – sub-bibliotecário
3.

            Rejeitado e triste, parte o hífen...

           
neoliberalismo
                                
extraoficial
          
semicírculo

superintendente




sábado, 21 de março de 2015

FACADAS NA LÍNGUA PORTUGUESA (1)


Esta é uma paixão antiga que anda por aqui a (re)passear há já algum tempo... pequenas coisinhas que fazem toda a diferença quando é descurado o brio, quando gelou o apego, quando foi perdida a atenção.
Em primeiro lugar, falemos de nascimento:
 
Traços gerais sobre
 
Origem e evolução da Língua Europeia
 
O português é uma língua românica, com origem no latim vulgar trazido para a Península Ibérica pelos invasores romanos, a partir de 218 a. C., durante a segunda Guerra Púnica.
De início, a língua era comum ao Noroeste da Península, tendo constituído, até meados do século XIV, uma unidade com o galego.
As invasões germânicas e muçulmanas favoroeceram o aparecimento de um proto-romance galego-português, por cortarem as ligações com Roma.
Desde o século IX verifica-se, na Península Ibérica, um desfasamento entre o oral (romance) e o escrito (latim).
Nos finais do século XII, o romance galego-português está apto a servir a comunicação escrita. A partir de 1255, começam a ser escritos, em português, alguns documentos, e D. Dinis  (1279) torna obrigatória a redação de documentos oficiais em língua vulgar.
Até 1350, não há grandes diferenças entre o português e o galego.
De meados do século XIV a meados do século XV, o português entra numa fase de transição para o português clássico, assistindo-se, nesta altura, às primeiras tentativas de fixação e normatização temática da língua. Observa-se, entretanto, uma influência castelhana na língua da corte e na língua literária, que se manterá até ao século XVII.
o português moderno herdou as estruturas gramaticais e lexicais dos séculos XVI e XVII, afastando-se, porém, das referências latina, castelhana e francesa, aproximando-se, com maior ou menor incidência, consoante as áreas, da língua inglesa.

O Latim que ainda "se fala" e o significado:

Agenda - coisas que devem ser feitas
Album - lista
A priori - à primeira vista, antes de
Curriculum vitae - relatório de qualificação de uma pessoa
Ex aequo - em simultâneo
Honoris causa - causa honrosa
Per capita - por cabeça, por cada um
Sine qua non - absolutamente necessário
 
 
e agora essa paixão, a de retirar a lâmina sempre que a Língua Portuguesa é, de certo modo, assassinada...
 
... nos meios de comunicação social.
 
 
FACADA 1 - a propósito de um encontro de futebol
 
"... os adversários já sabem o que podem contar..."
 
segredos talvez, carneiros para adormecer...
 
ou seria antes, sabem com o que podem contar?
 
FACADA 2 - sobre alguém de quem se aguardava a saída e que, tendo-o feito,
 
não interviu
 
ora:  
 
intervir - terminação, verbo vir;  interviu, terminação verbo ver
 
isto é, eu intervim, tu intervieste,ele interveio, ...
 
e não eu intervi, tu interviste, ele interviu 
 
 
os verbos formados a partir de outros, "ganham" as terminações desse mesmo verbo.   :)
 
 
 
GRACINHAS...
 


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

MITOS E LUGARES MÁGICOS DE PORTUGAL (1) - MINHO



Pedras Leitais - pedras que se acreditava serem mágicas visto que, pela sua ação, as mulheres acabadas de dar à luz, viam o seu leite aumentar ou nascer caso este lhes faltasse.
 
 
 
 
Capela de S. João da Pedra Leital
Requião, concelho de Famalicão
 
Pedra Leital
 
Há um penedo com este nome, com uns mamilos naturais ou artificiais, onde as mulheres vão mamar, a fim de terem o leite que lhes falta, após o que dão três voltas ao penedo. Junto está a capela de S. João da Pedra Leital. Localiza-se em Requião, concelho de Famalicão.
 
 
 
 
Pedras Leitais de S. Mamede
 
Na Senhora de S. Mamede existem estas pedras onde, de acordo com uma antiquíssima tradição, as mulheres iam amamentar os seus filhos. Localiza-se em Póvoa de Lanhoso. 
 
 
 
 
 


sábado, 7 de fevereiro de 2015

ANÁLISE DO POEMA ULISSES in "MENSAGEM"

 
 
 
 
Ulisses
 
 
O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo –
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar nas realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
 
 
 
 
O título do poema – Ulisses – evoca o herói da Odisseia de Homero, que, segundo a lenda, tendo-se perdido no Mediterrâneo depois da vitória de Troia, teria aportado no estuário do Tejo e fundado a cidade de Olisipo (Lisboa).
v  - Ulisses poderá representar a vocação marítima dos portugueses já que é do mar que chega este antepassado mítico dos portugueses.
v  E se Ulisses é o mito que é nada e é tudo isso deve-se à sua importância enquanto lenda portadora de força que, por sua  vez, dá vida.
v  Na 3ª e última estrofe dá-se a passagem do nada ao tudo: “a lenda vem (escorre) de cima; ao entrar na realidade, fecunda-a – fazendo o “milagre” de tornar irrelevante a vida cá de baixo, dita do mundo real, objetivo: “Em baixo, a vida, metade/De nada, morre”. Só readquire vida aquilo que o mito/nada tudo fecunda – e o processo não é do passado, mas intemporal – daí os tempos verbais no presente.”
 
*** neste poema, Pessoa parece dizer-nos que não importa se as figuras de que vai ocupar-se, os heróis fundadores, tiveram ou não existência histórica. O que é importante é a sua função enquanto mito, com a força própria do mito porque é então que ele é tudo.
Assim, o que realmente importa não é saber se Ulisses terá existido realmente mas ter consciência daquilo que ele representa: “o futuro glorioso de Portugal” só poderá concretizar-se se houver apropriação da energia que ele gera e da força criadora que ele liberta. (3ª est.)
v  Podemos considerar que este poema ajuda a explicar os que se lhe seguirão na Mensagem onde os heróis fundadores, apesar da sua existência histórica feita de êxitos e fracassos, aparecem mitificados.
 
 
 


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

COMEÇO A CONHECER-ME. NÃO EXISTO.

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.
Álvaro de Campos


pilares



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

ÚLTIMAS NOTAS SOBRE "FARSA DE INÊS PEREIRA"

Tempo 
É um tempo dilatado, tendo o espetador dificuldade em se aperceber da sua passagem.
 
Cómico
Encontramos, nesta farsa, cómico de situação ou de personagem em Inês, Pêro Marques e no Escudeiro; de situação na cena de ‘’namoro’’ de Inês com Pêro Marques; de linguagem na carta e linguagem de Pêro Marques e na fala dos Judeus casamenteiros. Podemos considerar as rezas e as pragas (esconjuros) como cómico de linguagem.
 
Objetivo da crítica vicentina
Gil Vicente critica:
·   A mentalidade das jovens raparigas;
·   Os escudeiros fanfarrões, galantes e pelintras;
·   A selvajaria e ingenuidade de Pêro Marques;
·   As Alcoviteiras e os Judeus casamenteiros;
·   Os casamentos por conveniência;
·   Os Clérigos e os Ermitões.
 
Concluindo
Desta ação pode extrair-se que o que Inês mais queria, acabou por conseguir: a sua liberdade, encontrada junto de Pêro Marques. A unidade da ação é dada pelo tema e pela personagem principal, Inês Pereira, sempre presente em cena sendo que todas as personagens e ação giram à sua volta.
Não há dúvida de que Gil Vicente demonstrou aos contemporâneos que nele não acreditavam, e com esta peça, ser de facto, o grande criador das obras que fazia representar.







 
 
 
 
 
 
 
 
 
 E AINDA...
 

 

 

A temática da peça Farsa de Inês Pereira está profundamente ligada à realidade social da época de Gil Vicente: o desejo de ascensão social da pequena burguesia que vê no casamento uma forma de consegui-la, o oportunismo, o desprezo pela vida ligada ao campo e o fascínio pelos hábitos e costumes da Corte face à ignorância do rústico, embora rico, e à sua ingenuidade, a falta de escrúpulos (núcleo da peça).


O desenvolvimento do capitalismo reforçou o poder do monarca e provocou a decadência da nobreza feudal e a riqueza proveniente do comércio ultramarino tendia a ser grande base do prestígio social. A aristocracia dependia dessa riqueza e procurou diminuir a sua importância, desprezando-a e valorizando as origens, da ascendência do sangue, a educação, a fineza, as boas maneiras, a honra e a coragem, enfim os ideais cavaleirescos. E como a nobreza, mesmo decadente, ainda conservava grande prestígio social, acabou por impor o estereótipo do cavaleiro como modelo a que deviam aspirar todos aqueles que queriam pertencer à classe superior.


A burguesia (comércio e finanças) procurou imitar esse figurino com desejo de ascensão social passando a imitar os nobres enquanto sonhavam subir na escala social, mas isso tornou-se cómico e ridículo.

É mais ou menos o que acontece em “Inês Pereira”, o Escudeiro domina Inês e torna-a infeliz. Viúva, ela procura o antigo pretendente rejeitado, casa-se com ele por ser rico, ingénuo e tolo, acabando por dominá-lo e traí-lo sem o menor remorso.