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sábado, 21 de março de 2015

FACADAS NA LÍNGUA PORTUGUESA (1)


Esta é uma paixão antiga que anda por aqui a (re)passear há já algum tempo... pequenas coisinhas que fazem toda a diferença quando é descurado o brio, quando gelou o apego, quando foi perdida a atenção.
Em primeiro lugar, falemos de nascimento:
 
Traços gerais sobre
 
Origem e evolução da Língua Europeia
 
O português é uma língua românica, com origem no latim vulgar trazido para a Península Ibérica pelos invasores romanos, a partir de 218 a. C., durante a segunda Guerra Púnica.
De início, a língua era comum ao Noroeste da Península, tendo constituído, até meados do século XIV, uma unidade com o galego.
As invasões germânicas e muçulmanas favoroeceram o aparecimento de um proto-romance galego-português, por cortarem as ligações com Roma.
Desde o século IX verifica-se, na Península Ibérica, um desfasamento entre o oral (romance) e o escrito (latim).
Nos finais do século XII, o romance galego-português está apto a servir a comunicação escrita. A partir de 1255, começam a ser escritos, em português, alguns documentos, e D. Dinis  (1279) torna obrigatória a redação de documentos oficiais em língua vulgar.
Até 1350, não há grandes diferenças entre o português e o galego.
De meados do século XIV a meados do século XV, o português entra numa fase de transição para o português clássico, assistindo-se, nesta altura, às primeiras tentativas de fixação e normatização temática da língua. Observa-se, entretanto, uma influência castelhana na língua da corte e na língua literária, que se manterá até ao século XVII.
o português moderno herdou as estruturas gramaticais e lexicais dos séculos XVI e XVII, afastando-se, porém, das referências latina, castelhana e francesa, aproximando-se, com maior ou menor incidência, consoante as áreas, da língua inglesa.

O Latim que ainda "se fala" e o significado:

Agenda - coisas que devem ser feitas
Album - lista
A priori - à primeira vista, antes de
Curriculum vitae - relatório de qualificação de uma pessoa
Ex aequo - em simultâneo
Honoris causa - causa honrosa
Per capita - por cabeça, por cada um
Sine qua non - absolutamente necessário
 
 
e agora essa paixão, a de retirar a lâmina sempre que a Língua Portuguesa é, de certo modo, assassinada...
 
... nos meios de comunicação social.
 
 
FACADA 1 - a propósito de um encontro de futebol
 
"... os adversários já sabem o que podem contar..."
 
segredos talvez, carneiros para adormecer...
 
ou seria antes, sabem com o que podem contar?
 
FACADA 2 - sobre alguém de quem se aguardava a saída e que, tendo-o feito,
 
não interviu
 
ora:  
 
intervir - terminação, verbo vir;  interviu, terminação verbo ver
 
isto é, eu intervim, tu intervieste,ele interveio, ...
 
e não eu intervi, tu interviste, ele interviu 
 
 
os verbos formados a partir de outros, "ganham" as terminações desse mesmo verbo.   :)
 
 
 
GRACINHAS...
 


domingo, 23 de novembro de 2014

revisita a Fernando Pessoa nest'"A Hora do Diabo"

revisita a Fernando Pessoa nest'"A Hora do Diabo"
 
 
 
 
 
talvez não muito conhecida est'"A Hora do Diabo" de Fernando Pessoa.
lembro-me de ter sido referida como uma espécie de "manual" das jovens vítimas da tragédia do Meco.
aos livros, creio, não lhes podemos atribuir culpas; aos homens sim, e à forma como os entendem e atingem os seus pares com os seus erróneos entendimentos.

trata-se de um conto que assenta no diálogo entre uma mulher, grávida, e o Diabo. leia-se e entenda-se como se puder e apetecer; concorde-se ou não; é a lei do livre arbítrio que deve prevalecer.

e porque hoje o retomei e li as suas quase 66 páginas, deixo aqui um excerto do conto já que a outra parte do livro é composta por análises, digamos, e considerações a esse Pessoa sempre desconhecido que assim escreveu entre os 14 e os 17 anos.

assim fala o Diabo:

"Minha senhora, todas as religiões são verdadeiras, por mais opostas que pareçam entre si. São símbolos diferentes da mesma realidade, são como a mesma frase dita em várias línguas; de sorte que se não entendem uns aos outros os que estão dizendo a mesma coisa. Quando um pagão diz Júpiter e um cristão diz Deus estão pondo a mesma emoção em termos diversos de inteligência: estão pensando diferentemente a mesma intuição. O repouso de um gato ao sol é a mesma coisa que a leitura de um livro. Um selvagem olha para a tormenta do mesmo modo que um judeu para Jeová, um selvagem olha para o Sol do mesmo modo que um cristão para o Cristo. E porquê, minha senhora? Porque trovão e Jeová, Sol e Cristo, são símbolos diversos da mesma coisa.
"Vivemos neste mundo dos símbolos, no mesmo templo claro e obscuro - treva visível, por assim dizer; e cada símbolo é uma verdade substituível à verdade até que o tempo e as circunstâncias restituam a verdadeira."

"A Hora do Diabo",
Obras de Fernando Pessoa
Assírio e Alvim
pp.52 e 53, 2ª edição