domingo, 11 de agosto de 2013

Erros de todos os dias e dos nossos II - Solecismos




Solecismos:

- Erros de concordância

(as regras gramaticais da concordância não são respeitadas.)

 

Não / Sim

Fazem cinco anos que […]

Faz cinco anos que […]

Houveram muitos acidentes

Houve muitos acidentes.

Aluga-se casas.

Alugam-se casas.

Precisam-se de operários.

Precisa-se de operários.

Procura-se empregados.

Procuram-se empregados.

Tratam-se dos melhores profissionais.

Trata-se dos melhores profissionais.

Não passavam das oito da manhã quando […]

Não passava das oito da manhã quando […]

Obrigado. – disse a rapariga.

Obrigada. – disse a rapariga.

Meia louca

Meio louca.

Erros de todos os dias e dos nossos





Não / Sim

 

Agradecê-mos muito /Agradecemos muito

A gente não estamos satisfeitos / A gente não está satisfeita

Vocês hadem pagá-las / Vocês hão de pagá-las (hão de – novo ac. ort.)

É preciso agir rápidamente / É preciso agir rapidamente

Tu também andastes nos escuteiros? /Tu também andaste…)

Eu daria-lhe outra oportunidade / Eu dar-lhe-ia outra oportunidade

Deiam-nos as vossas opiniões / Deem-nos as vossas opiniões  (deem – novo ac. ort.)

Um dia hades ver que tenho razão / Um dia hás de ver que tenho razão  (hás de – novo ac. ort.)

Eles devem de estar a chegar / Eles devem estar a chegar

Se quisesse-mos, tínhamos ido / Se quiséssemos, tínhamos ido
 
 
 
 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Sobre o acento circunflexo ... Pôr, Dispôr e outros





Verbo pôr - é acentuado ao contrário dos verbos dele derivados.

Assim, escreva-se:

DISPOR, COMPOR, APOR...


No entanto, devemos acentuar

DISPÕE, DISPÕEM, COMPÔS

É frequente encontrar inscrita a palavra residêncial nos toldos das Entradas daqueles estabelecimentos comerciais; tratar-se-á de uma clara confusão com o vocábulo residência.
De notar que, se os nomes (substantivos) têm acento circunflexo, o mesmo não se passa com o adjetivo a eles relativo.

ASSIM:

Residência - Residencial

Inteligência - Inteligente

Paciência - Paciente

Agência - Agente
...


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Como se escreve...?




CAIEM ou CAEM?
SAIEM ou SAEM
TRAIEM ou TRAEM?

Formas corretas:

CAEM / SAEM / TRAEM

Nota: Os verbos em -air, como cair, sairtrair, mantêm o i em toda a conjugação, exceto na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo.


HÁ CERCA DE / ACERCA DE / CERCA DE


1. há cerca de - verbo haver + locução prepositiva
Ex: Há cerca de seis meses que não nos vemos.

2. acerca de - locução prepositiva = sobre, a respeito de
Ex: A conferência foi acerca de Fernando Pessoa.

3. cerca de - locução prepositiva = mais ou menos
Havia cerca de meio milhar de pessoas no espetáculo.


terça-feira, 16 de abril de 2013

"página vinte e um" ou "vinte e uma página"?











Devemos dizer "página vinte e um"; então também devemos dizer "vinte e uma página"?
Assim como se deve dizer página vinte e dois uma vez que o numeral, colocado depois, concorda neste caso com a palavra "número", omissa, o mesmo sucede na expressão "página vinte e um" (número vinte e um, que representa a ordem da página.
Já o mesmo não sucede quando estamos a referir-nos à quantidade de páginas, com o numeral colocado antes. Deve-se, neste caso, estabelecer a concordância entre a grandeza avaliada e o numeral que representa essa medida,
Exemplo: “vinte e dois jogadores no plantel”
Logo, devemos dizer: vinte e uma páginas – “uma” porque página é do género feminino; “plural” em páginas porque são várias.
Não dizer, atenção, “vinte e uma página” pois é incorreto… os símbolos não têm plural e se considerarmos “página” uma unidade de medida do volume de um livro, em páginas, e do mesmo modo que dizemos “vinte e uma horas”, devemos também escrever vinte e uma páginas.



domingo, 14 de abril de 2013

Memorial do Convento - A Construção do Convento





A Construção do Convento

v  Macro espaço – MAFRA (onde surgem as personagens principais Blim. e Balt.)

                                                                                              Outro macro espaço: Lisboa
Micro-espaços:
- Terreiro do Paço
- Rossio
- S. Sebastião da Pedreira

v  Construção em Mafra como cumprimento de uma promessa do rei (a Ordem Franciscana aguardava há mais de 100 anos poder construir um convento, por via administrativa, em Mafra.)  (Cap.I, p.14)

*      No início da sua história, a vida de Mafra concentrava-se à volta do antigo castelo, junto à igreja de Santo André. **Séc.XVIII – torna-se um polo de atração, surge uma nova vida em resultado dos que vieram construir o convento.
*      O projeto do Mosteiro foi entregue ao arquiteto João Frederico Ludovice, ao serviço dos Jesuítas, em Lisboa. A construção do Convento é um reflexo da riqueza, do ouro do Brasil.

v  O rei vai ao local onde vai ser construído o Convento. (Cap. VIII, ultº § do cap.).
*      Saramago olha este edifício com o olhar crítico de homem do nosso tempo dando especial relevo à luta titânica dos homens que o construíram para satisfazerem a vaidade e a ambição de um rei.
*      A intenção/sonho do rei era fazer uma obra comparável à igreja de S. Pedro em Roma mas o arquiteto convence-o a mudar de ideias.

v  Sobre a vontade/decisão real (Cap. XXI)

v  Rei: ser vulnerável como os outros / tem medo da Morte mas é uma questão de vaidade pois, na realidade, teme que a morte o impeça de assistir à sagração do convento.

*      Escolhe como data 22 de Outubro de 1730, domingo, pois o ritual diz que deve ser esse o dia para sagração das basílicas).
No entanto, as obras estariam atrasadas para esta data. Quando seria de novo o seu aniversário num domingo? (Cap. XXI)


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Memorial do Convento - O Tempo. A Crítica. O Espaço.





O Tempo. O Espaço. A Crítica.
A História e a Ficção.


TEMPO

  • Início da Narrativa = 1711


®    O rei casou em 1708  (diz-se que a rainha tinha chegado há mais de 2 anos).
®    O rei nasceu em 1689  (diz-se que tem 22 anos = 1711).

  •  As referências temporais são poucas mas as datas que existem, e que são importantes, permitem-nos seguir cronologicamente a acção, através de deduções.

  •  PROLEPSES – encontram-se integradas nas digressões mentais.

- conferem ao Narrador estatuto de omnisciente

- estão aliadas à ironia      
                                 Capítulos XV, XVII, XVIII

  •  1717 – data da bênção da primeira pedra do Convento. - Cap. XII.

  • 1725 – data em que foi estabelecido o contrato de casamento dos príncipes.- Cap. XXII


                     “o agora” – 1729     

  • 1730 – data da inauguração / sagração do Convento  (D. João V tem 41 anos) Cap. XXIV.

- desaparecimento de Baltasar  no dia em que todos vão assistir à Sagração do Convento; ele vai para Montejunto a fim de consertar a máquina que está lá escondida.   (Cap. XXIII)- verifica-se que a máquina funciona.
  •  A narrativa termina em 1739 – após os 9 anos em que Blimunda procura Baltasar.


          - encontra-o no Rossio a ser queimado com António José da Silva, o Judeu; temos, neste caso, mais uma indicação histórica verídica.

Conclusões:   Saramago diz que a História é ficção por isso, há um desprezo pelo tempo cronológico.


ESPAÇO (s)

  • Ilustra(m) o ambiente e os costumes da época.

  • Espaços físicos privilegiados ------  macro-espaços (Lx e Mafra)


       

            Lisboa  >  micro-espaços – T. Paço, Rossio, S. Sebast. Pedreira, Odivelas, Azeitão

         Mafra   >  micro-espaços – Alto da Vela, Pêro Pinheiro (pedra), Serra do Barregudo, Serra de Montejunto, T. Vedras.


  • Lisboa = espaço social – ilustra bem as injustiças sociais. A minoria tem tudo, o Povo nada tem.  Caps. III, (texto da procissão) VIII, XV


A CRÍTICA


  • O Memorial do Convento é um romance que se apresenta como uma crítica, cheia de ironia, ao que se passava no início do sec. XVIII.



   
- o romance critica:

       - opulência rei / nobreza           Cap. III / Cap. IV
                    Vs.
       - extrema miséria do povo

  •  Lisboa é um alvo privilegiado das críticas.     Cap.III


  • Sátira  encontra-se presente:

                                  > nos casos de adultério (corrupção de costumes)   Cap. III
                                  > nas classes altas = os frades levam as mulheres para as          
                                                 celas.   Cap. VIII
                  > o rei tem encontros com as freiras  (Madre Paula de
                                             Odivelas, por exemplo)   Cap. XIII

  • O romance denuncia os métodos utilizados pela Inquisição e a repressão exercida sobre o Povo.  Cap. V



                                                MAS

                    Também se critica o Povo que aplaude a queima   (= touradas)