quarta-feira, 10 de abril de 2013

Memorial do Convento de José Saramago - orientações para uma leitura




Para uma leitura / análise de Memorial do Convento de José Saramago
(Baseado em Como abordar… Memorial do Convento de Alzira Falcão, Areal Editores)

ORIENTAÇÕES

Relação Rei / Rainha
- a corte; regime absolutista; relação conjugal; a urgência no nascimento de um herdeiro (excerto pp. 15/17); os sonhos da rainha (ver Cap. X, pp. 113/114).

O amor – Baltasar e Blimunda
- Baltasar Sete-Sóis (Cap. IV); Blimunda; classificação da relação existente entre eles; simbolismo do nº 7 (excertos Cap. V, pp. 54/57).

O amor – caracterização de Baltasar e de Blimunda
(Cap. IV, V, VI) – Baltasar conhece Blimunda; importância dos olhos (Cap. V, X); Blimunda vidente (Cap. XXIII, XXIV).

A Inquisição. Um auto de fé.
(Cap. V) – aspetos formais: formas verbais no gerúndio, metáfora, ironia, adjetivação, visualismo, …

O Padre Bartolomeu e a Religião
(Caps. V, VI, XI, XIII, XIV, XV, XVI)
- a sua visão da religião que professa; as quatro vidas diferentes do padre Bartolomeu; o seu temor em relação ao Santo Ofício; o padre e a passarola; o sermão do Corpo de Deus - exemplo de texto argumentativo; identificação dos três momentos.
A construção do Convento
- identificação do local e do motivo da sua construção; contextualização; D. João V e a morte; (Caps. I, VIII, XXI).
                   
A epopeia da pedra
- transporte de uma pedra para Mafra - o povo herói / perspetiva do narrador (Cap. XIX).
                     # a história de Manuel Milho

A sagração do Convento
- o rei e a morte (de novo!) – (Cap. XXI)                        
- o dia da sagração (Cap. XXIV) – a pompa e o luxo que rodeiam a cerimónia  - a sátira (marcas textuais).
                  
O sonho do Padre Bartolomeu Lourenço
- o Padre inventor
- a construção da Passarola
(relações sociais; a sua amizade com Baltasar e Blimunda).

“As vontades dos vivos”
- Cap. IX – o éter;
- Cap. XI – Blimunda e a recolha das vontades
- Cap. XIII – o padre e o Santo Ofício
- Cap. XVI – a fuga na passarola
- Cap. XX e XXIII

A conjugação de saberes. Scarlatti, o 4º elemento.
- quem é Domenico Scarlatti (Cap. XIV) – músico setecentista
- a sua função no projeto
- quais os saberes que contribuem para a construção da passarola

O valor da música. A doença de Blimunda
- papel da música na construção da passarola e na doença de Blimunda (Caps. XIV, XV, XVI)

O tempo. O espaço. A crítica. A História e a ficção.
- tempo – Cap. I, II, XV, XVII, XVIII, XII, XXII, XXIV, XXIII
- espaço – Cap. III, VIII, XV
- a crítica – Cap. III, IV, VIII, XIII
- lado histórico – Cap.
- outros aspetos a considerar : lado ficcional, o Narrador, linguagem e estilo, recursos de estilo e provérbios.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

... a propósito de Saramago





Certo e certo.
Opiniões geram opiniões e estas, por sua vez, outras, mais novas ou não.

Um escreveu e opinou, o outro opinou e tocou as raias do ridículo.

                                                                    (se eu fosse falar de uns quantos que, na minha opinião, não merecem a cidadania portuguesa! Mas e claro, essa seria sempre a minha anónima e humilde opinião…).

Leio e gosto de Saramago o que não faz de mim uma sua seguidista política.
Leio e concordo com algumas das “acusações” que ele faz nos seus livros (chamemos-lhes “considerações”) o que não faz de mim uma ateísta ou opositora a Deus. Não sendo praticante, considero-me católica e bem formada porque sigo, tanto quanto posso, os princípios do Bem, do Amor ao próximo. Do mesmo modo que compro os livros de Saramago e não tenho comissão nas vendas.
Quando esta polémica despoletou, e creio mesmo que se não fosse o senhor deputado a falar nisso…, talvez este fosse um livro de Saramago, mais um, contestado pela Igreja. Naturalmente que compreendo que a Igreja tenha de, deva tomar uma posição. Apenas lamento que não o tenha feito relativamente a outras situações relacionadas com pedofilia e demais arbitrariedades. Mas essa, e uma vez mais, é apenas a minha opinião que vale o que vale.
Pergunto-me e por tudo aquilo que terá suscitado a polémica, se alguém ignora a existência dos abusos, das mortes, da Inquisição e de todos os seus males, sempre em nome de Deus? Falar deles é condenável? Emitir opinião contrária ao esperado sobre tudo isto é motivo de extradição? Quer então isso dizer que concordamos com todas essas acções… ou que metemos a cabeça debaixo da areia e esquecemos.
Indo mais longe, o meu lado pensante nunca percebeu o sentido da classificação “Guerra Santa”, por exemplo.
Quando o Evangelho foi publicado debaixo de ferro e fogo e houve quem me criticasse pela sua leitura, disse como digo agora, não concordo com todas as suas ideias mas é meu dever saber quais são; por outro lado, qual é o ser humano que não pensa duas vezes sobre a legitimidade da chacina dos primogénitos…?

Para além do carácter metafórico que lhe é atribuído, da segunda leitura necessária, penso que não é muito congruente o aparecimento na Bíblia de certas ideias, posições ou situações, sendo Esta um manual de princípios religiosos a seguir.

Considero José Saramago um dos espíritos mais lúcidos da actualidade, uma mente brilhante nos domínios em que se manifesta, com uma visão social e religiosa dos nossos e de outros tempos corajosa como poucas. Choca, abana, tira do marasmo. Lembro-me da sua opinião acerca da nomeação de Obama para Prémio Nobel da Paz, considerou-a “um investimento”. Dá que pensar, naturalmente. Os bajuladores estão sempre certos e a fazerem-se ouvir com as frases do costume, mesmo que se tenham questionado sobre a “utilidade” do prémio em causa. Também eu me perguntei Porquê Obama? Ainda não sei mas agradou-me a hipótese do escritor.

Em toda esta amálgama de sentidos e cruzamentos, o que verdadeiramente me chocou foi a hipótese considerada pelo senhor deputado, de abdicação de cidadania. Se aos escritores (se) exige moderação na expressão das suas ideias, aos políticos também já para não falar nos gestos em lugares de soberania. A responsabilidade pública de instituições, órgãos e pessoas é frequentemente esquecida nos nossos dias pois o poder é tido como a passagem para o tudo que se deseja fazer, como marcação de terreno e de autoridade. Mentira. Essa mesma responsabilidade é muito mais exigente do que se considera e esta manifestação política, independentemente de tudo o que possa ter sido aqui dito, não é conveniente politicamente. Se as regras do jogo fossem assim, rigorosas e extremistas, não deveria ter existido um 25 de Abril, não deveríamos ter sido candidatos a uma qualquer forma de Democracia e por pior que esta possa ser.  Quem pensa assim não merece a igualdade de expressão pois devia ser regido pelos princípios que exige aos outros. E não é uma questão política esta aqui exposta mas antes de ponderação, a mesma que se exige. Com o País cheio de indesejáveis, como se pode adiantar uma solução como esta? Conhecem-se as razões que levaram à opção de Espanha como habitat, do incómodo que teria sido na altura um prémio Nobel a tal escritor… e se fosse um autor estrangeiro?
Por que continuamos nós a recusar a qualidade que outros acabam por “aproveitar”? Por que continuamos nós a defender o politicamente estrangeiro como correcto? E sempre com o mesmo espírito reduzido ou redutor que levou à recusa do ideal de Colombo… até quando? Desde sempre, creio eu.

Inevitavelmente

(sem data)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

POIS NÃO!



Duas situações num noticiário de hoje:

- não se diga "... os elogios de Cristiano Ronaldo na imprensa internacional..." mas "... os elogios a Cristiano Ronaldo na imprensa internacional..."

No primeiro caso afirma-se que quem terá elogiado foi o próprio CR e não que lhe terão sido feitos elogios...

- a propósito do AO...

e da palavra "convicção": na verdade, nesta situação, o primeiro 'c' não cai uma vez que é realizado foneticamente

... e isto porque encontrei no mesmo noticiário, e em nota de rodapé, o vocábulo "convição"...

sábado, 14 de abril de 2012

domingo, 8 de abril de 2012

FHL - PERSONAGENS (Matilde, Gomes Freire, ...]



MATILDE

Matilde coloca a nu os vícios do clero.
É uma defensora das causas perdidas: justiça, lealdade, valentia (saia verde).
É uma mulher corajosa, defensora da sinceridade, denuncia a falsidade e a hipocrisia do Estado e da Igreja.
Mulher apaixonada que vai tomando consciência do fim do seu companheiro e cheia de esperança (saia verde)
Surge em cena no Ato II e será com ela que o dramatismo na peça irá tomando forma e volume, num crescendo que tocará a alucinação e mesmo o delírio à medida que se aproxima o fim do “seu homem”.
Personifica a dor das mães, irmãs, esposas dos presos políticos.

SOUSA FALCÃO

Amigo de Gomes Freire e Matilde.
Partilha das mesmas ideias de Gomes Freire mas não teve a sua coragem. Autoincrimina-se por isso, medroso.

GOMES FREIRE DE ANDRADE

Representa Humberto Delgado e é uma personagem virtual / central.
Encontra-se sempre presente nas palavras das outras personagens.
É caracterizado pelo Antigo Soldado, por Manuel, D. Miguel e Beresford.
É idolatrado pelo povo, acredita na justiça e na luta pela liberdade (sabemo-lo pela voz de Matilde).
Foi um soldado brilhante, “estrangeirado”, é um símbolo da esperança e da liberdade.

E ainda…
Polícias – representam a PIDE.
Frei Diogo de Melo – representa a Igreja consciente da situação do país.





quarta-feira, 4 de abril de 2012

PRODUÇÃO ESCRITA SOBRE TEMÁTICAS DE FHL



I

“E que interessa o que diz o povo?”
“Autoridade sempre presente e sempre pronta a intervir.”

            Escreve um pequeno texto – cerca de 60 palavras – em que demonstres a importância destas frases para o desenrolar da ação e para a caraterização das personagens.

II

            Considera a hipótese de teres assistido a uma representação da peça Felizmente Há Luar! , de Luís de Sttau Monteiro, com uma encenação fiel às indicações cénicas do autor. Escreve um texto, de 100 a 150 palavras, que pudesse ser publicado no jornal da escola, dando a tua opinião sobre a importância do tom de voz e dos gestos de algumas personagens, exemplificando com duas situações significativas da peça.

sábado, 31 de março de 2012

FHL - PERSONAGENS ... Manuel, D. Miguel Forjaz, Principal Sousa e Beresford


PERSONAGENS: Manuel
            Manuel é um elemento do Povo que, consciente da situação em que vive, se sente impotente para sair dela. Simboliza a desilusão e a frustração do Povo português.

PERSONAGENS: D. Miguel Forjaz
            Revela um carácter calculista, prepotente, tirano que se opõe ao progresso por razões pessoais. É primo de Gomes Freire e Governador do Reino; falso e hipócrita, condena o General sem possuir provas.

PERSONAGENS: Principal Sousa
            Atormenta-o o número crescente de pessoas que aprendem a ler pois acredita que a ignorância do Povo facilita a sua moldagem. As ideias de França preocupam-no, revolucionárias, pois colocam em causa o poder eclesiástico.

PERSONAGENS: Beresford
            Representa o domínio do exército inglês em Portugal e preocupa-se em denunciar e castigar os traidores. É autoritário e detém grande poder; é irónico quando se refere a Portugal, país que despreza: ver fala que se inicia em “Como a vida num país pequeno acaba por atrofiar… que farei tudo o que for necessário para os continuar a receber!”
            No seu diálogo com o Principal Sousa, Beresford sente-se superior relativamente a Portugal e àquilo que é português (por exemplo, quando se refere às paisagens inglesas no excerto indicado em cima).
            Ao longo de toda a ação, demonstra desprezo pelos seus companheiros governantes.