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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

POESIA TROVADORESCA - Aspetos a reter




Os sublinhados referem-se aos aspetos mais importantes a reter sobre esta temática.



Um grupo numeroso de cantigas inspira-se na vida popular rural. Tem como personagem principal a rapariga que vai à fonte, onde se encontra com o namorado; que vai lavar ao rio a roupa ou os cabelos, que na romaria espera o amigo, ou oferece promessas aos santos pelo seu regresso. Este género de cantar apresenta-nos geralmente uma situação cujos elementos paisagísticos, muito simples e padronizados, se carregam do simbolismo de velhos ritos pagãos, e coloca-nos perante uma ou mais personagens sob a forma de diálogo, quer de monólogo, quer até (caso raro mas muito significativo) de breve narrativa, como se fosse um fragmento de um “rimence”: a rapariga que vai ao rio lavar camisas, o corpo “velido” que baila na romaria. (…) Esta matéria corresponde às cantigas de estrutura mais simples, construídas dentro do chamado “paralelismo perfeito”.


A.J. Saraiva e O. Lopes, História da Literatura Portuguesa




No entanto, a cantiga de amigo não se encontra necessariamente ligada à vida do campo, pois enquadra-se frequentemente no meio burguês, refletindo o ambiente doméstico e familiar, marcado pela presença feminina, visto que a menina, na ausência do chefe de família, vive sob a tutela da mãe, embora por vezes se rebele contra as suas imposições. Assim, a cantiga não exprime só o drama sentimental da moça (o que, em linguagem trovadoresca, se chamava “cuidado”), provocado pela ausência do amigo como também testemunha as condições familiares da época, em que a mãe possui autoridade e exerce vigilância sobre a filha.


Maria Ema Tarracha Ferreira, Poesia e Prosa Medieval

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

CESÁRIO VERDE (1855 - 1886)


CONCLUSÃO

·      A poesia de Cesário está repleta de imagens, de sons e de cores. É uma poesia que, sem ser inteiramente impessoal, se afasta do sentimentalismo e do exagero do ultraromantismo, fazendo o retrato vivo, natural e espontâneo de ambientes citadinos e campestres.
·      No parnasianismo, o poeta não diz o que sente, apenas mostra a realidade, isto é, tenta ser objetivo e impessoal. Ora Cesário, apesar do esforço, não ficou como frio espetador do que via, transmitiu os seus sentimentos; talvez por isso os seus poemas sejam mais verdadeiros e cativantes.

domingo, 21 de junho de 2015

Ricardo Reis - apontamentos soltos




Segundo o poeta, cada um de nós deve viver a sua própria vida, isolando-se dos outros e procurando apenas na sobriedade individualista o que lhe agrada.

Não se devem procurar os prazeres violentos mas optar pela busca mínima da dor e pela procura, sobretudo, da calma, da tranquilidade, do esforço e da atividade úteis.

No entanto, alcançar a felicidade e a calma deve ser encarado como uma ilusão.
A felicidade está na liberdade e não nos podemos esquecer que esta está vedada aos próprios deuses sobre quem pesa o Fado. Também a calma deve ser uma opção nossa mas não nos será possível alcançá-la uma vez que vivemos à espera da morte. A consciência disto provoca em nós um sentimento de angústia.

A obra de Ricardo Reis é o esforço lúcido e disciplinado para obter uma qualquer forma de calma. Esta ideia assenta numa crença verdadeira nos deuses da Grécia antiga, admitindo Cristo como um deus a mais. Esta mesma ideia está de acordo com o Paganismo e é, em parte, inspirada em Caeiro para quem o Menino Jesus era “o deus que faltava”.

Outras características:

Temáticas:

*      o culto do Belo como forma de superar a transitoriedade da vida e dos bens terrenos;
*      as ameaças do Fatum, da Velhice e da Morte;
*      tal como para Caeiro, a felicidade só é possível no sossego do campo;
*      o vinho, o sorriso e as flores como formas de iludir o sofrimento resultante da consciência da brevidade da vida;
*      o autodomínio e a contenção dos sentimentos;
*      a quase ausência de erotismo, de amor autêntico;

Estilísticas:
*      a frequência da inversão: anástrofe e hipérbato;
*      a frequência da elipse e da perífrase;
*      preferência pela ode (influência de Horácio) e recorrência ao verso decassilábico alternando ou não com o hexassílabo;
*      frequência do gerúndio;
*      frequência do imperativo (de acordo com o carácter moralista das odes);
*      verso branco ou solto com recorrência à assonância, à aliteração e à rima interior.